Na hora de planejar qualquer construção, é preciso colocar a segurança da obra no topo da lista. Os furtos de materiais, ferramentas e equipamentos têm causado prejuízos para pequenos e grandes empreiteiros. De acordo com a empresária Priscila Avillar, a escolha favorita dos bandidos são as construções em fase de acabamento. Dona de uma empresa de pequeno porte, ela diz que contabiliza prejuízo de R$ 170 mil por ano, só com os furtos. ''Existe uma quadrilha só de roubo de fios. Eles furtam, fazem a maior bagunça nas construções, vendem para os ferros-velhos que pagam pelo quilo da mercadoria. Minha raiva não é dos que roubam, mas sim dos que compram, sabendo qual é a procedência. Se houvesse uma maior fiscalização, diminuiria esse tipo de furto''.
Priscila garante que se não contratar segurança particular para as contruções, todo o trabalho feito durante o dia pelos operários é desfeito na parte da noite pelos bandidos.
A FOLHA visitou algumas obras e os pedreiros entrevistados foram unânimes em afirmar que os furtos são constantes. Além de fios elétricos, os ladrões levam ferramentas, barras de ferro, motor de betoneira, cal, cimento e tudo o que encontrarem pela frente.
O pedreiro Manoel Carvalho conta que em uma determinada construção os ladrões chegaram a levar a válvula, o registro e todo o encanamento do banheiro.''Só é seguro quando a construtora contrata segurança particular; sem isso eles levam mesmo'', afirma Carvalho.
Morador do Jardim Abussafi, Zona Norte, Flávio Laski, reclama do descaso da polícia e declara que o bairro fica a mercê da violência e dos assaltos. Há nove anos, quando construiu sua casa, teve que arcar com o roubo de mais de 40 barras de ferro e até hoje esse tipo de crime é comum no bairro. ''É um descaso total, chamamos a polícia, não vem ninguém e isso não é de hoje. A casa que não tem 2 cachorros, no mínimo, é roubada mesmo. É muito difícil ver a polícia por aqui'', reclama. Priscila também confessa que não registra mais boletins de ocorrência porque não acredita no empenho da polícia.
O delegado Sérgio Luiz Barroso declarou não ter recebido nenhuma denúncia contra este tipo de crime este ano.''No ano passado foram feitas várias apreensões, mas este ano não tivemos êxito. É rotina nossa fazer investigações constantes em ferros-velhos para verificar se existe cobre que pode ser proveniente destes furtos'', aponta.
Barroso sugere a população denuncie qualquer movimentação suspeita em pontos de receptação através do fone 197, destinado a receber denúncias anônimas.

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