Prejuízo com casamentos arranjados
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sexta-feira, 17 de junho de 2005
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
O administrador hospitalar Orlando Ramos Pedroso, 47 anos, e José de Oliveira, 60 anos, de Angatuba (SP), registraram queixa ontem no 1º Distrito Policial (DP) de Londrina contra a agência Tokio Tour Assessoria, de Londrina, especializada em viagens e empregos no Japão. Em outubro de 2003 eles depositaram, no total, R$ 9 mil em nome da empresa, que iria providenciar casamentos por contrato para Pedroso e para o filho de Oliveira, que pretendiam passar uma temporada trabalhando naquele país. Logo depois, porém, eles desistiram dos casamentos e da viagem, mas não conseguiram reaver o dinheiro.
Segundo Pedroso, a idéia de casar com uma descendente de japoneses foi dada por um amigo, que tinha contato com a agência de Londrina. ''Nós chegamos a vir para cá duas vezes e eu até conheci a minha falsa noiva. Mas comecei a desconfiar do negócio quando perguntei sobre o tempo mínimo de casamento, que até onde sei é de três anos, e o proprietário da agência disse que isso não seria problema.'' Pedroso, que é casado há 22 anos, já havia pago R$ 3 mil quando desistiu do casamento arranjado. ''Pretendia pagar os outros R$ 3 mil quando chegasse lá no Japão.''
Já Oliveira contou que vendeu um carro e pagou à vista os R$ 6 mil pedidos pelo casamento do filho, que tem 22 anos. ''Nós confiávamos nesta pessoa de Angatuba que nos indicou a agência.'' Além do pagamento feito à agência, Oliveira também diz ter tido muitas despesas com telefonemas e viagem a Londrina. ''No começo, ligávamos quase todos os dias para cá, tentando reaver o dinheiro. Ultimamente, já nem estamos sendo atendidos mais.''
O proprietário da Tokio Tour, Alex Nonomura, afirmou que trabalhava para o amigo de Pedroso e Oliveira, que tem uma empresa no Japão. ''Esta pessoa, chamada Clóvis, me pediu que arrumasse os casamentos e eu aceitei. No caso do Orlando, ele teria que se divorciar da mulher.'' Segundo Nonomura, no Paraná não é exigido um tempo minímo de casamento para embarcar para o Japão.
O dono da agência informou que os R$ 3 mil pagos por Pedroso foram repassados à candidata a noiva, que teria se recusado a devolver a quantia. ''Já em relação ao seo José, admito que estou devendo, mas pedi a ele um tempo para resolver uns problemas e depois vou tentar pagá-lo'', disse Nonomura. De acordo com o agente, não há nada de ilegal neste tipo de operação. ''Os casamentos são feitos em cartório.''
O delegado do 1º DP, Marcelo Sakuma, abriu inquérito para apurar o caso. Segundo o delegado, já existe um inquérito aberto contra a empresa por estelionato (cheque sem fundos).


