Mauricio Della Barba
De Londrina
Nem o calor e a preguiça conseguiram desanimar ontem os cerca de 20 mil candidatos do vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL), no segundo dia de provas. O pecado capital de aversão ao trabalho foi escolhido como o tema da prova de redação, sob o título ‘‘A preguiça é a mãe do progresso; se o homem não tivesse preguiça de caminhar, não teria inventado a roda’’. Apesar do tema, nenhum candidato demonstrou qualquer preguiça na hora de resolver as 40 questões de português e de desenvolver as 30 linhas da dissertação.
Os primeiros estudantes começaram a sair das salas duas horas depois do início das provas. ‘‘Preguiça foi a única coisa que não tive na hora de escrever’’, disse Renato Norbiato Fedato, de 19 anos, candidato a uma vaga no curso de ciência da computação. ‘‘A cada dia que passa, o homem está, cada vez mais, tentando facilitar a sua vida. Acredito que um pouco de preguiça é necessário para se evoluir’’, explicou Fedato.
O tema da redação foi considerado fácil pela maioria dos candidatos. ‘‘Acho que me saí bem. Demorei um pouco, mas no final valeu a pena’’, disse Camila Gabia Russiano, de 17 anos, que veio de Foz do Iguaçu na tentativa de conseguir uma vaga em direito. A londrinense Renata Lissi, de 17 anos, que presta vestibular para educação física, escreveu no braço o tema da redação. ‘‘Minha mãe pediu para eu não esquecer o tema’’, justificou.
A ansiedade e o nervosismo também serviram para prejudicar o desempenho de alguns candidatos. ‘‘Achei a prova de hoje meio assustadora. Deu para escrever bem, mas exigiu muito’’, avaliava a paulista Débora Borges Mota Arnas, de 43 anos, candidata a uma vaga em direito.
Sentados no meio-fio, na grama e nos bancos da UEL, os vestibulandos corrigiam ansiosamente os resultados das provas de química e biologia, realizadas no domingo. ‘‘Acertei 50 das 60 questões. É um bom número, mas acho que precisava de mais’’, salientou o mato-grossense Alexandre Cabral, de 17 anos, que presta o concurso para medicina.
Como o primeiro, o segundo dia de provas foi considerado normal e sem nenhuma ocorrência mais grave. Dados da Comissão Permanente de Seleção (Copese) indicavam uma ausência de 2.510 candidatos no exame até ontem, o que representa 12,11% de desistentes. ‘‘Apesar do clima quente, o vestibular está ocorrendo de forma tranquila. Vamos tentar manter esse equilíbrio’’, disse o secretário-geral da Copese, Reynaldo Ramon.
No Centro de Educação Física, duas salas que possuem o teto baixo, concentrando maior quantidade de calor, foram interditadas pela coordenação. Já os 900 candidatos que fizeram as provas no ginásio de esportes, tiveram que aguentar a atmosfera quente e o abafamento do local.
O trânsito de veículos também se manteve na normalidade. Ao longo da Avenida Castelo Branco, via de acesso exclusiva ao campus da UEL, o fluxo de veículos permaneceu equilibrado até o horário limite de chegada dos estudantes, às 13h30. Segundo o sargento Ferreira, do Policiamento do Trânsito, o esquema montado transformando a Avenida Castelo Branco em única entrada para a cidade universitária – no período entre 12 e 14 horas – funcionou bem. Amanhã no terceiro dia do vestibular, acontecem as provas de matemática e física.Tema da dissertação foi considerado fácil pelos vestibulandos da UEL, que hoje fazem provas de matemática e física
César AugustoRESULTADOSVestibulando confere o gabarito da prova de domingoCésar AugustoMEMÓRIARenata Lissi escreveu no braço o tema da redaçãoCésar AugustoDébora Arnas: prova assustadoraCésar AugustoCamila Russiano: tema fácilDorico da SilvaCandidatos lotam restaurantes de Londrina