'Prefiro chamar de despertar espiritual'
Além dos seminários (básico, intermediário e superior), os kumites ainda fazem vários cursos e treinamentos de aperfeiçoamento. Alguns se aprofundam tanto que acabam se tornando orientadores, com dedicação exclusiva à Mahikari. É o caso de Márcio, 28, que prefere não revelar seu nome verdadeiro. ''Eu teria que pedir autorização ao Japão'', justifica.
Filho de kumites catarinenses, desde pequeno ele já sabia de cor algumas orações em japonês. Fez todos os seminários exigidos e chegou a viver seis anos no Japão. Recém-chegado de uma temporada na Venezuela, está há apenas cinco meses em Curitiba, de onde viajava constantemente para as outras sedes do Sul. ''É como uma transferência da empresa em que você trabalha'', compara, com forte sotaque nipônico.
Como Márcio, o diretor regional Nishioka também recebe uma ajuda de custo (leia-se salário) para se dedicar totalmente à Mahikari. Neto de japoneses, ele conheceu a organização num momento difícil, tentando se recuperar de um acidente quase fatal com moto. Esse tipo de aproximação é bastante comum, ainda que os seguidores façam questão de afirmar que o objetivo do Okiyome não é a cura.
''O principal é a evolução do espírito. Depois, a mente obedece e o corpo acompanha'', ensina a estudante de Direito Ludmila Alves, 21, integrante do grupo jovem de Curitiba. Aos 14 anos, ela conheceu a entidade por meio de uma amiga de escola e logo se tornou kumite. Já concluiu o seminário intermediário e agora junta dinheiro para o cursar o superior, no templo mundial (localizado na cidade japonesa de Takayama).
A estudante conta que, no primeiro momento, encantou-se pela ''praticidade'' da Mahikari e a sensação de bem-estar advinda do Okiyome. Com o tempo, percebeu que não precisava mais tomar remédios - trocou-os pela energização. Hoje, faz imposição de mão diariamente para o pai, que está doente. ''Prefiro não chamar de cura, e sim de despertar espiritual'', afirma.
Mas ninguém melhor para falar do assunto do que o dentista Tadzio Martins, 37, membro do ''grupo da saúde'' da Mahikari em Curitiba. Mensalmente, ele e outros seguidores das mais diversas especialidades médicas se reúnem para discutir a relação entre os tratamentos tradicionais e espiritualistas. ''Quanto mais você estuda, mas aprende que não sabe nada'', diz.
Martins não só acredita que o Okiyome é uma ferramente divina como também relata casos de verdadeiros milagres operados por kumites. Ou melhor: por Deus, através dos kumites. ''Ninguém pode prometer a cura. A pessoa se cura pelo merecimento dela com Deus'', garante o dentista. (O.G.)





