'Preferia mil vezes voltar a trabalhar'
Os medicamentos necessários para o tratamento de José Carlos Fortunato são fornecidos gratuitamente e a UEL disponibiliza um veículo para levá-lo às sessões fisioterápicas e consultas. Porém, ele alega que tem despesas extras com remédios e táxi, por não ter condições de pegar um ônibus, além de ter que arcar com as despesas básicas de manutenção da casa onde mora com a família e as sessões de fisioterapia e hidroterapia.
Além dos R$ 292,63 da aposentadoria, a única outra fonte de renda da família é a pensão de sua mãe, que é analfabeta. Fortunato tem dois irmãos desempregados. Antes do incidente, o cozinheiro complementava a renda trabalhando à noite em uma pizzaria e ainda fazia uns ''bicos'' nos finais de semana. Hoje, as dificuldades motoras impedem-no de voltar a trabalhar.
Mesmo com os problemas de saúde, Fortunato ainda tentou continuar o curso de gastronomia na Universidade Norte do Paraná (Unopar), mas as constantes quedas impediram-no de continuar as aulas. ''Eu não sabia que tinha que trancar a matrícula, e um tempo depois a Unopar veio me cobrar as mensalidades atrasadas. Disse que eu poderia assinar promissórias, que queria parcelar, mas eles me executaram.''
A assessoria de imprensa da Unopar alega que o fato de ele não ter feito nenhum pedido de trancamento ou cancelamento de matrícula, bem como qualquer comunicação formal de sua situação, levou a instituição a tomar as medidas cabíveis conforme o contrato assinado por ele. A universidade se diz aberta a negociações e afirma tanto aceitar parcelamentos de dívidas como já ter proposto dividir o valor (relativo a cinco mensalidades) em cinco parcelas.
''Preferia mil vezes voltar a trabalhar, ganhando um salário digno, do que ficar dentro de casa recebendo R$ 292 que não dão pra nada e ainda ficar devendo para os outros'', lamenta Fortunato. (A.I.)





