Preferência por recém-nascidos
Curitiba - Em todo o Estado, a procura por crianças menores é maior do que a adoção de adolescentes. Essa exigência contribui para que o processo seja demorado. ''As pessoas têm a fantaisa, a ilusão de que a adoção é burocrática e demorada. Não é. Quanto mais exigências, mais demorado o processo fica. Para crianças um pouco mais velhas o tempo de espera é menor'', explica a juíza da Vara da Infância e Juventude de Curitiba, Lidia Matos Guedes. ''Se a pessoa quiser fazer a diferença, tem que adotar uma criança mais velha, não um bebê. Bebê todo mundo adota'', complementa.
Os casos de bebês abandonados pelas mães e encontrados nas ruas são um bom exemplo. Na maioria dos casos, essas crianças são adotadas na própria cidade e têm várias famílias interessadas.
O levantamento de crianças disponíveis para adoção é de responsabilidade de cada município. Em Curitiba e região metropolitana, aproximadamente mil crianças e adolescentes estão em 45 abrigos à espera de uma família. Apenas em Curitiba, são 400 processos de pessoas interessadas em adotar. O número de adoções na Capital se mantém estável. Em 2007, foram 176 processos simples, em que as crianças foram adotadas sem recusa da família e com a documentação correta, e em 2006, 194.
O Cadastro Nacional da Adoção vai favorecer o aumento dos números de adoção internacional em todo o Brasil. Números divulgados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) nesta quarta-feira mostram que 4.106 brasileiros estão no Cadastro Nacional da Adoção e que 469 crianças estão aptas a serem adotadas. Desta forma, o perfil de criança que não é muito aceito em uma região do país pode ser escolhido em outra.
Além da demora no processo de adoção, as exigências feitas pelas famílias pode causar mais tarde uma frustração. ''As pessoas idealizam uma criança perfeita, sem problemas e depois que adotam começam os problemas e as dificuldades, pois elas não são como as famílias imaginavam'', diz Lidia. Para evitar esses problemas, a Vara da Infância de Curitiba disponibiliza às famílias habilitadas para adoção um curso de preparação, principalmente nos casos de escolha de crianças mais velhas. ''Mostramos que a criança tem uma história de vida que deve ser respeitada. A conquista dela depende do adulto. Geralmente a devolução das crianças ocorre por falha dos adultos, que não têm paciência, não têm o desejo de conquistar e não têm a motivação adequada'', conta a voluntária da Vara da Infância, Halia Pauliv de Souza. (C.G.B.)





