Prefeituras usam drones como aliados contra problemas municipais
Em Londrina, tecnologia é usada para vistoriar domicílios em mutirões contra a dengue; em Rolândia, para identificar lotes com mato alto
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 02 de abril de 2026
Em Londrina, tecnologia é usada para vistoriar domicílios em mutirões contra a dengue; em Rolândia, para identificar lotes com mato alto

Prefeituras da Região Metropolitana de Londrina vêm usando drones como aliados no combate a problemas que afetam o dia a dia dos moradores. No município-sede, a tecnologia foi utilizada em todos os mutirões de limpeza contra a dengue, com agentes identificando criadouros do Aedes aegypti em locais de difícil acesso, como calhas, caixas d’água e imóveis fechados ou abandonados. Em Rolândia, drones são usados para identificar lotes com mato alto em um período de maior incidência de chuvas, quando ele cresce mais rápido. Em ambos os casos, os registros aéreos facilitam o trabalho de funcionários municipais, otimizando tempo e recursos.
No caso de Londrina, a iniciativa integra o Plano de Ação de Combate à Dengue 2026, anunciado em fevereiro pela Prefeitura. O foco tem sido a utilização de drones e aspiradores para manter os resultados positivos alcançados em 2025, com uma redução na taxa de incidência e mortalidade em comparação ao ano anterior. Até o momento, foram promovidos 14 Dias D de Combate à Dengue em diferentes regiões. A definição dos bairros contemplados foi feita a partir do aumento de casos notificados e confirmados da doença nas localidades.
As ações da Secretaria de Saúde, com auxílio de Agentes de Combate às Endemias, incluem o sobrevoo com drone para identificar possíveis criadouros do mosquito Aedes aegypti, eliminação dos locais com água parada, entrega de sacos verdes para descarte de materiais que possam acumular água, aplicação de inseticida com equipamento UBV costal e aspiração de mosquitos em locais com casos positivos.
Ampliação da operação
A tecnologia é usada na vistoria de domicílios desde a campanha municipal contra a dengue de 2025, quando a UEL (Universidade Estadual de Londrina) cedeu dois equipamentos e treinou agentes para que pudessem avaliar pontos de difícil acesso com suspeita de água parada.
Neste ano, mais dois drones foram adquiridos pela Secretaria, com seis servidores capacitados para operá-los. “Eles auxiliam o agente de endemias com um olhar por cima, identificando criadores como caixas d'água, calhas e locais em casas fechadas, como piscinas ou algum outro recipiente que aquele imóvel possua, para que possamos tomar medidas administrativas e sanar e mitigar o risco de futuras epidemias nesse local”, explicou Nino Ribas, gerente de Vigilância Ambiental da pasta.
O especialista exemplificou o aumento de incidência de casos no bairro Monte Carlo, zona leste, que só foi resolvida a partir do auxílio da tecnologia. Mesmo com a intensificação do trabalho de vistoria em campo e da aplicação do inseticida, os números não diminuíram. Assim, a região que apontava o maior número de ocorrências foi sobrevoada, com a identificação de criadouros na casa de um senhor que sempre estava no trabalho no momento que os agentes visitavam o imóvel. Com a eliminação da água parada, “parou a circulação do vírus dentro do território”, celebrou Ribas.
O último mutirão de limpeza foi realizado na semana passada no Jardim Maria Celina, zona norte, com caminhões da CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) e Secretaria de Agricultura recolhendo materiais que acumulam água. A Prefeitura divulga a programação em seu blog.
Mato alto em Rolândia
Em Rolândia, os drones são utilizados pela SEMMA (Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente) na vistoria de lotes com mato alto, como parte de um mutirão de fiscalização que vem sendo feito em diferentes regiões da cidade. Até o momento, os proprietários de quase 500 lotes já foram notificados para realizar a limpeza, divididos entre seis bairros: os residenciais Belmonte, Tomie Nagatani, Agostinho Pizzaia e Residencial Portal Arabella, além dos jardins Moriá e Terra Nova. Todos concentram um grande número de terrenos vazios.
No caso do Residencial Tomie Nagatani, o mais recente a ser vistoriado, os lotes são habitações populares do Programa Minha Casa, Minha Vida, e por conta do recorte dos terrenos, ficaram “presos”. Trata-se de uma faixa localizada nos fundos dos lotes, sem acesso direto pela rua.
“É uma área que basicamente não tem um acesso externo e que a gente tem dificuldade de visualizar de uma área externa. Então surgiu a ideia de usar o drone para fazer as imagens, confirmar que eles teriam essa necessidade real da limpeza via capina ou roçagem e notificarmos os proprietários”, informou Marcello Jordão, diretor administrativo da SEMMA.

A partir do aviso, o munícipe tem 10 dias para realizar a limpeza do terreno, com a equipe municipal retornando após o fim deste prazo para atestar se ele foi cumprido. Caso não tenha sido, a Secretaria aciona uma empresa terceirizada para realizar o serviço, com aplicação de multa e cobrança dos custos ao proprietário, conforme previsto na legislação.
Jordão adiantou que a SEMMA analisa a possibilidade de fazer uso dos drones na fiscalização de imóveis em lotes industriais, onde a visualização externa é mais complicada ainda por conta dos altos muros.
Denúncia
Em 2025, o município fez mais de 1.500 notificações referentes a mato alto. A falta de cuidado pode favorecer a proliferação de mosquitos e animais peçonhentos, além de causar transtornos aos vizinhos.
Para realizar denúncias, a SEMMA disponibiliza o número (43) 3156-0333, com atendimento de segunda a sexta-feira das 9h às 11h e das 13h às 17h.



Heloísa Gonçalves
Repórter com atuação em Educação, Saúde e Cidades.


