Prefeituras tentam agradar 'clientes'
PUBLICAÇÃO
sábado, 13 de março de 1999
Valmir Denardin 
Prefeituras paranaenses já começam a considerar o munícipe um consumidor de seus produtos - e não apenas um mero pagador de impostos - e desenvolvem programas para a obtenção da qualidade total nos serviços prestados e no atendimento ao cliente. Impulsionado pela privatização e quebra de monopólio de muitos serviços públicos, o conceito de reengenharia, implantado nas empresas brasileiras no início dessa década, agora chega aos municípios e muda a mentalidade de prefeitos e administradores.
As prefeituras começam a perceber que hoje o cidadão tem mais opção de escolha de serviços e o funcionário público, que antes atendia mal porque tinha estabilidade no emprego, agora sabe que o seu concorrente maior é o desempregado, que daria tudo para estar no seu lugar. A afirmação, que resume os motivos que levam prefeituras e servidores públicos a se aprimorar, é de Eloni dos Santos Castro, instrutora de treinamento da Empresa Potencial, de Cascavel, que atua no setor há quatro anos.
Programas de qualidade total estão mudando a realidade dos serviços públicos em dois pequenos municípios do Extremo-Oeste paranaense: Santa Helena e Itaipulândia. As duas prefeituras buscam o aprimoramento com o objetivo de obter o certificado internacional de qualidade ISO 9002 para órgãos públicos.
Com o certificado, além de satisfazer os moradores do município, será mais fácil e rápido conseguir financiamentos, por exemplo, analisa o secretário de Administração de Santa Helena (100 quilômetros ao norte de Foz do Iguaçu), José dos Santos Costa.
O programa foi iniciado no município em janeiro de 1997, mas o certificado de qualidade só deverá ser obtido em um ano. Pesquisa realizada pelo Instituto Perfil, de Curitiba, com 800 moradores, apontou que a satisfação em relação aos serviços municipais (entre eles saúde, educação, obras e atendimento a agricultores) aumentou 30% ao final do primeiro ano do programa.
Em junho, serão divulgados os resultados de nova pesquisa, sobre o segundo ano do programa. Acreditamos que a aprovação atingiu, no mínimo, 50%, acredita Eloni, que coordena os trabalhos em Santa Helena e também em Itaipulândia. O primeiro município tem 19,5 mil habitantes e 650 servidores, que já passaram por cursos, palestras, reuniões e até promoveram o Dia D (dia em que o atendimento ao público é suspenso para que seja feita uma faxina geral nas repartições).
Em Itaipulândia (75 quilômetros ao norte de Foz do Iguaçu) - município com apenas 5,6 mil habitantes e 250 servidores - o programa foi implantado em junho do ano passado. Ainda não foi feita nenhuma pesquisa para apurar a satisfação dos moradores.
O resultado mais visível é que conseguimos racionalizar a utilização do espaço interno e de materiais na prefeitura, diz o secretário municipal de Administração, Urbano Inácio Frey. Isso gerou um ambiente de trabalho mais agradável e um atendimento melhor ao cidadão.
Mais do que boa vontade administrativa, Santa Helena e Itaipulândia têm dinheiro para perseguir a melhoria no atendimento aos seus consumidores. Situados na margem paranaense do Lago de Itaipu, os dois municípios recebem royalties da hidrelétrica, como compensação por área alagada. Desde 1991, Santa Helena já recebeu cerca de US$ 80 milhões em royalties e Itaipulândia, US$ 45 milhões.


