Curitiba

Marcelo AlmeidaControleEm Piraquara, todos os carros oficiais têm que estar de volta à garagem no fim do expediente, às 17hAlguns prefeitos do Paraná estão investindo em criatividade para cortar gastos das contas municipais. Desde o início do ano, alguns municípios foram surpreendidos por decretos inusitados como a reutilização obrigatória de pedaços de papéis para anotações ou a proibição de entortar clips. Em Piraquara, onde as medidas chegaram a gerar economias da ordem de R$ 180 mil, o prefeito controla pessoalmente o uso dos cerca de 20 veículos oficiais durante o expediente. Em Campina Grande do Sul, o número de secretarias foi reduzido de 12 para oito para diminuir gastos.
A minúcia do prefeito Gil Lorusso (PTB), de Piraquara, já permitiu a construção de um ginásio de esportes, a compra de um carro para o Departamento de Fiscalização e investimentos nas áreas de educação e preservação ambiental. No caso dos veículos, todos devem estar na garagem municipal pontualmente às 17 horas, horário do término do expediente. Nenhum funcionário, nem mesmo o prefeito, pode voltar para casa com um carro oficial.
‘‘Não é questão de perseguição, e sim de organização’’, diz Lorusso, que afirma ter sido chamado de autoritário no início de seu projeto. Hoje, acredita, a adesão dos funcionários é grande. O prefeito nega que tenha feito cursos de Qualidade Total, que costumam pregar princípios de corte de desperdícios semelhantes aos aplicados em Piraquara. ‘‘Só estou aplicando minha experiência de bacharel em Administração de Empresas e de ex-funcionário do Tribunal de Justiça’’, resume.
Em Campina Grande do Sul, o prefeito Elerian do Rocio Zanetti (PSDB) concentrou esforços no corte de pessoal. Desde que assumiu, houve o desligamento de cerca de 120 funcionários públicos municipais. A carga horária da maioria dos professores também foi reduzida de 40 para 20 horas, o que implica automaticamente na redução de salários.
Somando estas medidas à fusão de várias secretarias municipais - como o agrupamento das secretarias de Agricultura e Meio Ambiente, e da Educação e Cultura -, além do ato de altruísmo de alguns secretários e do próprio prefeito, que abriram mão de seus salários, o município de Campina Grande do Sul conseguiu cortar aproximadamente 30% de seus gastos. Parte destes recursos, segundo Zanetti, serão utilizados para sanear a herança de dívidas deixada pela administração anterior. Atualmente, o município possui cerca de R$ 2,3 milhões de débitos com fornecedores e com a previdência municipal.

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