Prefeituras não têm dinheiro para nada
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segunda-feira, 16 de dezembro de 1996
Alexandre Sanches<br> Da Redação 
SÃO JERÔNIMO DA SERRA - Com salários atrasados há três meses e sem previsão de receber, os funcionários da prefeitura de São Jerônimo da Serra (95 quilômetros ao sul de Londrina) prometem parar a coleta de lixo a partir de hoje. A situação da prefeitura é igual a de outros municípios paranaenses: sem dinheiro em caixa para este final de ano, os prefeitos ameaçam deixar dívidas para os seus sucessores.
Em São Jerônimo há um agravante. Com equipamentos sucateados e máquinas paradas, os serviços essenciais estão sem manutenção. As estradas rurais ficam intransitáveis em dias de chuva, ruas esburacadas, o mato toma conta das calçadas e de praças.
O funcionário José Luiz Custódio disse que, dependendo do setor e função, os salários estão atrasados até sete meses. Quem ainda tem crédito no comércio, consegue se manter. A maioria depende da ajuda de parentes e amigos, ressalta.
A preocupação dele está no fato da prefeitura receber até o final do ano somente duas parcelas do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), não cobrindo as dívidas com os servidores. Além disso, não dá mais tempo para entrar com ação na Justiça para receber ainda este ano.
Apesar de estar às vésperas do Natal, boa parte do funcionalismo quer mesmo é pagar as dívidas contraídas no comércio local. Quanto ao 13º salário, os servidores já perderam as esperanças em receber. Um funcionário, que não quis se identificar, disse que nos últimos quatro anos a prefeitura pagou somente meio 13º salário. Espero receber este mês, pelo menos um salário atrasado, ressalta.
O medo maior está numa história espalhada de que a prefeita eleita havia garantido que não vai assumir os salários atrasados, da atual administração. Ninguém sabe se isso é verdade e de onde surgiu esta história, mas todos temem pelo pior.
Preocupados com a situação do município, profissionais liberais buscam fórmulas para ajudar a prefeita eleita, Maria Luiza Coppla (PST), a encontrar uma solução para as dívidas deixadas. O contador Luiz Lopes disse que o município está sucateado. O comércio todo está sentindo este reflexo. Todo o capital de giro do comércio está em contas a receber, comenta.
Para o comerciante Antônio Mello Alves a situação é caótica. Em dívidas com o funcionalismo público ele acredita ter em torno de R$ 4 mil a receber, tendo conta de dois anos. Ele critica a falta de médicos e medicamentos no posto de saúde e no Hospital Municipal. Se a gente precisa de socorro tem que procurar nos municípios vizinhos. Isso é uma vergonha, desabafa.
Em Curitiba O prefeito Gilberto Pinheiro de Mello (PMDB) esteve ontem em Curitiba, tentando a liberação de recursos do governo do Estado. Ele garante ter conseguido a liberação de recursos para a municipalização da educação, utilizando parte deste dinheiro para pagar os funcionários. Estou tentando outros convênios. O governo garantiu que liberam até o dia 20. Este dinheiro dará para pagar os salários atrasados, faltando somente o 13º, informa.
Mello justificou que há mato e buracos nas ruas e estradas municipais porque a motoniveladora está no conserto. Na segunda-feira estaremos recebendo a máquina e iniciaremos a manutenção das ruas e estradas. Também anunciou a liberação de recursos do Paraná Urbano para asfaltar as ruas da cidade. Ele disse que as obras começam esta semana.


