Prefeituras do Oeste recusam transportar estudantes do Estado
Paulo Pegoraro
Edson MazzettoAmeaçaEscolares matriculados na rede estadual podem sofrer prejuízos no Oeste por falta de transportePrefeituras do Oeste do Estado estão se recusando a continuar transportando alunos da rede estadual de ensino. A justificativa é de que as despesas são elevadas e que os recursos que recebem para o setor são insuficientes. As 51 prefeituras da região gastaram no ano passado R$ 12,34 milhões com o transporte de 99.162 alunos do ensino fundamental, dos quais 55.963 (56,78%) de escolas estaduais.
A situação está provocando manifestações de protesto contra o governo estadual e à presidência da República, porque envolve recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef). Segundo os prefeitos, o Fundef causa prejuízos principalmente para os pequenos municípios, além de complicar a sistemática de repasse.
A Associação dos Municípios do Oeste do Paraná (Amop) divulgou em Cascavel manifestos encaminhados ao governador Jaime Lerner (PFL) e ao presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Ao governador a entidade pede convênios com o Estado para repasse de recursos para o Programa de Transporte Escolar. O presidente da Amop, Rogério Pasquetti (PDT), prefeito de Céu Azul, diz que, sozinhas, as prefeituras não poderão mais transportar os alunos.
Para a União, a reclamação é sobre perdas com o Fundef, formado por parte de tributos federais nos quais os municípios têm participação. Os que mais perdem são os de menor população, porque o repasse do fundo considera o número de matriculados. Dos 51 municípios do Oeste paranaense, 29 acumularam perdas em janeiro. Serranópolis do Iguaçu é o que mais perdeu - 14% em relação ao que teria direito no bolo dos tributos.
O presidente da Amop salienta que são exatamente os pequenos municípios que mais transportam alunos, porque têm população mais densa na zona rural, com vilarejos onde muitas vezes não há escolas. A associação apresenta ainda um levantamento indicando que em 1996 o ICMS repassado aos 51 municípios foi de R$ 717,7 milhões, e em 97 houve redução para R$ 713, 8 milhões.
Pasquetti informou que os municípios estão preparando um dia de manifestações para enfatizar os problemas.





