Curitiba O Salto São Francisco, localizado na região central do Paraná, está causando uma polêmica entre as prefeituras de Guarapuava e Prudentópolis. A celeuma teve início no ano passado, quando a Prefeitura de Guarapuava desapropriou 84 hectares de terra em torno do salto para estabelecer o Parque Municipal de São Francisco da Esperança.
''Nunca quisemos a posse do salto, ao contrário do que vem sendo dito. Mas o salto é definido como uma tríplice fronteira. O lado esquerdo pertence a Turvo, a parte de cima a Guarapuava e a de baixo a Prudentópolis. A Prefeitura de Prudentópolis se apega a uma lei de 1906, que definiu o salto como sendo daquele município. Entretanto, por uma lei de divisas intermunicipais de 1951, o salto é uma tríplice fronteira. A desapropriação que fizemos foi apenas na área de Guarapuava'', afirmou Milton Roseira Júnior, diretor de meio ambiente da Prefeitura de Guarapuava.
O diretor afirmou que em 2001 a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) fez um memorial descritivo da área. ''Mas a Sema errou. Cortaram uma linha seca, desobedecendo à lei de 51. Em 2005, contestamos. A Sema admitiu o erro e restabeleceu a tríplice fronteira. Estávamos perdendo 1.300 alqueires para Prudentópolis e 300 alqueires para Turvo'', disse Roseira. Hoje será realizada uma audiência pública em Guarapuava para discutir a criação do parque municipal.
A secretária de turismo de Prudentópolis, Carla Andréa Veiga, contestou o fato da Prefeitura de Guarapuava ter se baseado na lei de 51. ''Nunca houve nenhuma audiência pública sobre isso'', disse. ''A Prefeitura de Prudentópolis sempre divulgou o salto como sendo nosso. Os proprietários da área são daqui. Aliás, a administração anterior de Guarapuava admitiu, em um material de divulgação, que o salto era de Prudentópolis''.
Carla, a exemplo de Roseira, afirmou que não descarta uma administração conjunta do salto. ''Não nos opomos a uma gestão tríplice. Mas precisamos fazer as coisas com calma, montar um conselho gestor. Da forma como as coisas foram feitas, nos sentimos desrespeitados'', apontou a secretária. Ela disse que na semana que vem a Prefeitura de Prudentópolis vai ingressar com ação judicial para contestar a Prefeitura de Guarapuava e a Sema.
As áreas em torno do salto pertencem à família Agibert. Gilvan Agibert (PPS), vereador em Prudentópolis e candidato a deputado estadual, disse que não foi informado sobre a desapropriação na parte de Guarapuava. ''As matrículas de nossas áreas estão todas em Prudentópolis. Sobre a questão da tríplice fronteira, isso é uma briga entre os municípios.'' Ele relatou que no início do ano registrou queixa na Polícia Civil porque a Prefeitura de Guarapuava teria colocado marcos divisórios na área.
A Prefeitura de Turvo informou que sempre considerou o salto como sendo uma tríplice fronteira. A Sema apontou que o Salto São Francisco é uma tríplice fronteira e que a administração da área cabe aos três municípios, conforme as divisas.

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