Prefeituras atrasam verbas da UEM
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quarta-feira, 22 de abril de 1998
Sid Sauer 
Das oito prefeituras que integram a Fundação de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Vale do Piquiri, apenas duas estão repassando em dia os recursos para manutenção da extensão da Universidade Estadual de Maringá (UEM) em Goioerê (72 km a oeste de Campo Mourão). Com isso, a arrecadação mensal da fundação, que deveria ser de R$ 16 mil, não passa de R$ 2 mil e a extensão sobrevive de campanhas.
Estamos passando necessidades, diz o presidente da fundação, Omar Caires de Souza. Na semana passada, ele chegou a participar de uma sessão da Câmara de Vereadores de Goioerê para alertar sobre o problema. Se os políticos da região continuarem fazendo corpo mole, corremos o risco de perder a extensão.
Há cerca de um ano, sete das oito prefeituras que integram a fundação assinaram um termo com o compromisso de repassar uma ajuda mensal de R$ 2 mil. Só Rancho Alegre do Oeste e Quarto Centenário continuam em dia, diz Caires. Mesmo assim, elas reduziram o repasse para R$ 1 mil cada uma. Chegou a ser de R$ 500,00, frisa o presidente.
A prefeitura de Goioerê, por exemplo, não faz o repasse desde agosto. Também estão com dívidas as prefeituras de Boa Esperança, Janiópolis, Moreira Sales e Juranda. Ubiratã também faz parte da fundação, mas não assinou o termo de compromisso.
Além da manunteção da estrutura física da extensão, o dinheiro da fundação é usado para pagar a ajuda de custo dos professores. O curso de engenharia têxtil, por exemplo, tem professores que se deslocam até de São Paulo. Se não pagarmos os custos de viagem e estadia, não compensa para o professor vir a Goioerê apenas pelo salário, diz Caires. Temos que dar alguma vantagem a eles.
Laboratório A fundação também precisa de pelo menos R$ 50 mil para terminar o barracão que vai abrigar os laboratórios do curso de engenharia. Parte dos equipamentos já existem, mas não há local para instalá-los. Para piorar, o curso não é reconhecido pelo MEC enquanto não estiver com os laboratórios funcionando. Por isso, a comunidade de Goioerê teme que o curso, um dos três únicos do País, seja levado para a sede da UEM, em Maringá.
Sem dinheiro, a fundação faz apenas o mínimo para manter a extensão em funcionamento. Mesmo assim, é preciso realizar campanhas. No ano passado uma campanha de doações chegou a arrecadar 650 sacas de soja de um único produtor. Mas não podemos ficar o tempo todo dependendo de campanhas, desabafa Caires. O poder público tem que fazer a sua parte. Além de engenharia têxtil, a extensão conta com o curso de ciências e pode ganhar pedagogia no ano que vem.


