Curitiba A Prefeitura de Curitiba tem prazo até o dia 2 de junho para recorrer das multas, no valor de R$ 15 milhões, aplicadas pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) por irregularidades no tratamento do lixo doméstico e hospitalar. A superintendente de Controle Ambiental da Secretaria de Meio Ambiente de Curitiba, Marilza Dias, já adiantou que a prefeitura vai contestar as autuações, pois, além de considerar o valor abusivo, as alternativas de tratamento dos resíduos, segundo ela, atendem os critérios técnicos exigidos.
Na autuação contra o Aterro do Caximba, onde são depositadas diariamente cerca de 2,4 mil toneladas de lixo doméstico, o IAP alega ter identificado lançamento de chorume (líquido resultante da decomposição do lixo) com níveis de contaminação 11 vezes acima do limite permitido. Já na vala séptica na Cidade Industrial, que recebe aproximadamente 16 toneladas de lixo hospitalar, o IAP constatou contaminação do lençol freático.
Marilza admite que a eficiência do tratamento do chorume no aterro sanitário ainda não atingiu níveis ideais, depois da implantação de uma nova lagoa de decantação e sistema de aeração. Segundo ela, é necessário um período de adaptação até que se atinja níveis ideais. Até agora, o sistema permite a remoção de 85% de carga orgânica. O IAP, quando autorizou as melhorias, tinha ciência disso, afirmou a técnica.
Quanto à vala séptica da CIC, Marilza diz que a prefeitura vai usar as próprias análises feita pelo IAP para rebater a autuação. De acordo com ela, a contaminação está ocorrendo antes da entrada do lençol na área da vala, possivelmente pela infiltração de esgoto doméstico. As análises, informou, apontaram grande concentração de carga orgânica, coliformes fecais e totais, que seriam ''indicativo muito evidente de esgoto'' e não da decomposição do lixo hospitalar. A prefeitura pretende, ainda, identificar as fontes de lançamento de efluentes domésticos.
A secretaria municipal de Meio Ambiente, revelou Marilza, está estudando alternativas de tratamento para o lixo hospitalar, em parceria com os geradores dos resíduos, para desativar a vala séptica.
A doutoranda em Química e integrante do Grupo de Desenvolvimento de Técnicas Avançadas para o Tratamento de Resíduos da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Josmaria Lopes de Morais, explicou que os aterros sanitários no Brasil, em sua maioria, utilizam processos biológicos para tratamento do chorume (como é o caso do Caximba), cuja eficiência é reduzida devido à composição complexa e variável do resíduo. O grupo está desenvolvendo pesquisas para associar processos biológicos e químicos para aumentar a eficiência do tratamento.

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