Prefeitura vai processar loteadora
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 08 de março de 2001
Lucinéia Parra De Maringá 
A Prefeitura de Maringá deve entrar com ação contra a empresa Empreendimentos Imobiliários Ingá, que loteou o Conjunto Tarumã II, um dos mais carentes da cidade e com sérios problemas de infra-estrutura básica. Na ação, a prefeitura pretende solicitar que a empresa transfira os moradores para outra área.
De acordo com o secretário de Meio Ambiente, Marino Gonçalves, o conjunto foi loteado em local irregular, perto de fundo de vale. Ele diz que o loteamento está em uma região onde o lençol freático está muito próximo da superfície, o que inviabiliza investimentos para melhorar a infra-estrutura básica do bairro. Em todos os terrenos brotam água a partir da perfuração em pouco mais de um metro, explicou. Segundo Gonçalves, um dos problemas mais graves é a falta de rede de esgoto e a dificuldade para manutenção de fossas sépticas. Como o lençol freático está bem próximo da superfície, há casas que já têm até cinco fossas e quando chove estas fossas transbordam tornando a situação um caos.
Conforme Gonçalves, um grupo de trabalho formado por integrantes de várias secretarias municipais e pelo gerente da Sanepar de Maringá, Fábio Amaral de Queiroz, visitou o conjunto recentemente e concluiu que, qualquer investimento em infra-estrutura no bairro terá um custo muito elevado. O custo das obras é totalmente inviável e, além disso, é preciso manter um processo de drenagem da água permanente, explicou. De acordo com o secretário, a área do Conjunto Tarumã II deve ser preservada e os moradores terão que ser transferidos.
O diretor-proprietário da Empreendimentos Ingá, Domingos Bertoncello, disse que a empresa cumpriu todas as exigências da prefeitura para o loteamento da área, garantindo como infra-estrutura básica a água, luz, cascalho e arborização. Ele explicou que o loteamento foi aprovado pela prefeitura na administração passada, e que a empresa manteve a preservação de cinco alqueires na divisa do conjunto por configurar-se área de fundo de vale.
Bertoncello admitiu que dos 600 lotes do conjunto, cerca de 40 têm problemas com o manancial de água. Mas é muito mais fácil a prefeitura sanar o problema dotando o bairro com rede de esgoto e galerias pluviais do que simplesmente pedir a transferência dos moradores. Segundo ele, a empresa não se aproveitou dos compradores, uma vez que todos foram informados sobre as condições do terreno. Fizemos tudo dentro da lei, mas é preciso deixar claro que trata-se de um loteamento popular destinado às famílias de baixa renda com financiamento de até seis anos.


