O prefeito Nedson Micheleti pretende implantar o Passe Livre Social, que vai beneficiar os estudantes secundaristas carentes do município, até o mês de junho. Ele fez a promessa ontem de manhã, depois de receber da União Londrinense de Estudantes Secundaristas (Ules) projetos para a implantação do passe livre e para a reforma da sede histórica da entidade.
A entrega dos projetos pelos estudantes foi realizada após uma passeata organizada em tom de gincana pelos alunos, em homenagem ao estudante secundarista Edson Luis de Lima Soto, morto há 36 anos pela Ditadura Militar, durante protesto contra o Golpe de 1964.
Segundo estimativas da Polícia Militar, cerca de 350 estudantes se concentraram em frente à agência do Banco do Brasil do Calçadão (Área Central) para a passeata, número largamente ultrapassado durante a manifestação, quando acredita-se que mais de mil adolescentes caminharam até a prefeitura, na Zona Sul.
Definido como uma ''luta histórica'' pelo presidente da Ules, Tiago Andrei de Abreu, o projeto de passe livre social encaminhado ao prefeito pede a liberação do uso dos coletivos por estudantes, sem restrição de horários. ''Sugerimos não só o passe livre para estudantes, como também para qualquer pessoa que justifique a necessidade do benefício'', explicou Abreu. De acordo com o presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Wilson Sella, as fraudes são o maior desafio para a implantação do passe livre.
O pedido de reforma da sede da Ules, instalada na Avenida Duque de Caxias desde a fundação da entidade, há 54 anos, foi igualmente encaminhado ao Executivo. ''Não temos orçamento definido para a reforma, mas todas as plantas estão prontas'', afirmou o presidente da Ules.
Os estudantes saíram do Calçadão por volta das 9h30 e chegaram à prefeitura uma hora depois. Inicialmente tumultuado, o movimento chamou a atenção por se referir ao prefeito com palavras de baixo calão. Abreu, acompanhado de diretores da Ules, levou os projetos até o gabinete do prefeito, que prometeu a implantação imediata do sistema de passe livre em caráter experimental.
O projeto de reforma da sede da Ules também seria encaminhado pelo prefeito à Secretaria de Obras. ''A secretaria deve preparar um orçamento dos pedidos feitos pelos estudantes. A prefeitura vai ser parceira da Ules nessa reforma e esperamos ter esse orçamento em mãos o quanto antes'', frisou o prefeito.
Paralelo ao movimento organizado pela Ules, o presidente da Força Jovem, Edmilson Costa, coletava dados dos estudantes que participavam da passeata. ''Não somos contra esse tipo de manifestação, mas é bom destacar que o prejuízo à educação dessas pessoas é enorme'', disse. Costa afirmou que um documento será encaminhado pela Força Jovem ao Ministério Público, pedindo a punição para os diretores de escolas que autorizaram a participação dos alunos na passeata da Ules durante o período de aulas.

mockup