Após o término da primeira etapa da reforma do Calçadão de Londrina, no trecho entre as ruas Pernambuco e Prefeito Hugo Cabral, a prefeitura dará início a uma pesquisa de satisfação junto à população. A medida foi determinada pelo prefeito Barbosa Neto (PDT) após a publicação pela FOLHA, na última sexta-feira, de matéria mostrando que as obras em um dos principais trechos de passagem de pedestres da cidade estão dividindo opiniões.
De um lado, representantes do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) e secretaria municipal de Obras, responsáveis pelo projeto, defendem que a substituição do petit pavé (piso em pedras, formando um grande mosaico) pelo paver (blocos de concreto intertravados) vai transformar o espaço em modelo de mobilidade urbana. De outro, parte da população, arquitetos e urbanistas se mostram contrários à destruição do que consideram a marca registrada do Calçadão.
Os arquitetos e urbanistas Cláudio Bravim e Eduardo Suzuki, do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) - Núcleo de Londrina, argumentaram que o novo revestimento proporcionará ''uma mistura insensata de cores, sem harmonia, sem história, sem contexto, sem personalidade, sem beleza e que com certeza continuará com os mesmos problemas, que de longe não resistirá a mais 30 anos''. Comerciantes e pedestres que transitam com frequência pela via, entrevistados pela reportagem, também ressaltaram que, junto com o mosaico em preto e branco, parte do encanto do Calçadão está indo embora.
O presidente do Ippul, Carlos Alberto Hirata, confirmou que a conclusão da primeira etapa da reforma está prevista para o dia 26 deste mês. Segundo ele, a ideia é que a obra seja inaugurada, a população tenha uns dias para ''vivenciar'' o local e só depois seja avaliado o impacto das mudanças.
''Estamos trabalhando no projeto da 2 fase da reforma (que compreende o quarteirão entre as ruas Pernambuco e Professor João Cândido) usando as mesmas diretrizes utilizadas no primeiro trecho. Mas se o prefeito está pedindo a pesquisa, é porque existe a possibilidade de se repensar o projeto a partir a opinião da população'', observou Hirata. O projeto de revitalização de todo o Calçadão vai custar ao município em torno de R$ 2,5 milhões.

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