A farmácia básica da Prefeitura de Campo Mourão vai devolver para os médicos as receitas que forem feitas com letras ilegíveis. A farmácia básica funciona na Secretaria Municipal de Saúde e atende a casos de remédios que não existem nos postos onde são feitas as consultas. A responsável pelo setor, Valdinei Fero, disse que os casos de letras ilegíveis são poucos ‘‘mas existem’’. ‘‘Com o tempo, a gente vai conhecendo a letra do médico’’, afirmou.
A medida da secretaria foi tomada em resposta à lei municipal que entrou em vigor obrigando os postos de saúde a emitirem receitas médicas datilografadas. A prefeitura vetou o projeto alegando falta de recursos para equipar os postos de saúde, mas o veto acabou derrubado pela Câmara de Vereadores. A lei foi sancionada, mas ainda não foi colocada em prática. A prefeitura também argumenta que a lei é inviável para os médicos da família, que atendem a domicílio.
A secretária municipal da Saúde, Rosemeire do Carmo Martelo, diz que já existe uma lei federal que obriga os médicos a emitirem as receitas com letras legíveis. No caso da farmácia básica, a idéia é anexar um bilhete aos médicos nas receitas que não puderem ser lidas. O paciente terá que voltar ao médico com a receita e o bilhete informando que foi impossível ler o que estava escrito. ‘‘Esperamos que isso force o médico a melhorar a letra’’, disse Rosemeire.
Uma reunião com os donos de farmácias deverá sugerir que os estabelecimentos adotem o mesmo critério. O farmacêutico Oswaldo Wronski, com 40 anos de experiência, diz que algumas vezes é preciso ligar para o médico para descobrir o que ele receitou. Valdinei, da farmácia básica, também faz esse procedimento, mas reclama que nem sempre é possível localizar o médico.
O assunto parece dividir os médicos de Campo Mourão. Glauco Nogueira, por exemplo, que não atende na rede pública, já usa o computador na hora de emitir suas receitas. ‘‘Uma vez trocaram o medicamento que receitei a um paciente’’, conta. Já o irmão dele, Heráclito Nogueira, que é o presidente da Associação Médica de Campo Mourão, é contra. Ele acha que a lei é desnecessária e que vai provocar muita perda de tempo.

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