Prefeitura vai devolver migrante pobre
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segunda-feira, 13 de abril de 1998
Giovani Ferreira 
A Prefeitura de Ponta Grossa inicia esta semana um trabalho de triagem dos migrantes que chegam ao município em busca de emprego, moradia e melhores condições de vida. Amanhã começa a funcionar o Centro de Orientação do Migrante, que tem por objetivo conter o índice de miséria, impedindo o crescimento e a formação de novas favelas na cidade.
Pessoas que chegarem em Ponta Grossa como aventureiros, sem ter emprego, nem onde morar e comer, serão enviadas de volta à sua cidade de origem. A prefeitura vai pagar a passagem de volta desses migrantes e comunicar os órgãos competentes do município de origem.
De acordo com João Carlos Barbiero, secretário municipal de Ação Social, chegam diariamente a Ponta Grossa de duas a três famílias carentes, sem condições nenhuma de se estruturar na cidade. Essas pessoas acabam parando na favelas, invadindo terrenos da prefeitura ou ocupando áreas irregulares e consideradas de risco.
Hoje, segundo Barbiero, existem no município 4,5 mil famílias faveladas, totalizando aproximadamente 35 mil pessoas. Desse total, apenas 20 mil são moradores legítimos de Ponta Grossa, sendo os 15 mil restantes de outras cidades do interior, disse Barbiero. No entender dele, Ponta Grossa acaba sendo escolhida por essas pessoas por ser a cidade pólo dos Campos Gerais, que teoricamente deveria oferecer um padrão de vida melhor, mesmo para as pessoas carentes.
Essas pessoas chegam em Ponta Grossa atraídas pelo desenvolvimento industrial, seduzidas pela possibilidade de arrumar um emprego nas diversas empresas que estão se instalando no município. Porém, explica Barbiero, sem nenhuma espécie de qualificação, essas pessoas acabam se deparando com uma realidade completamente diferente.
Duas frentes devem direcionar o trabalho do Centro de Orientação ao Migrante. A referência básica será a rodoviária, onde uma equipe de fiscais da Secretaria de Ação Social estará trabalhando diariamente, fazendo uma espécie de triagem desses migrantes. A família ou pessoa que não tiver condições de permanecer na cidade, será encaminha de volta para seu município de origem.
Outra equipe vai trabalhar junto das famílias que já estão radicadas na cidade, mas continuam na miséria, sem ter emprego ou uma moradia decente. Também queremos fazer com que as famílias ou pessoas que estão há menos de uma no na cidade voltem para seus locais de origem, disse Barbeiro.
A prefeitura não tem como impedir que essas pessoas fiquem no município. Apesar de ser um direito da pessoa permanecer na cidade, independente das suas condições de vida, a prefeitura alerta que não vai mais tolerar as invasões e a proliferação de favelas. Se for preciso, vamos solicitar ajuda policial para impedir as invasões, sentencia Barbiero.
A prefeitura começa a atuar com tanto rigor nesse sentido, que a partir desta semana a Secretaria Municipal de Ação Social estará atendendo somente pessoas que moram em Ponta Grossa. Para participar de algum programa ou receber algum auxílio da secretaria, a pessoa terá que comprovar residência no município.
A maioria dos migrantes que chegam em Ponta Grossa são oriundos de municípios do interior do Paraná, principalmente das pequenas cidades da região dos Campos Gerais.


