SARANDI - O Departamento de Água e Esgoto de Sarandi (7 quilômetros a leste de Maringá), que é administrado pela prefeitura, vai retomar o corte do fornecimento de água aos usuários inadimplentes. Pelos cálculos do chefe do departamento, Ronaldo de Oliveira, mais de 30% dos quase 15 mil domicílios servidos com água tratada no município estão com as contas atrasadas. Ele diz que, em média, o atraso no pagamento é de seis meses. ‘‘Mas existem usuários que não pagam a conta há dois anos’’.
Todos os meses, explica Oliveira, os inadimplentes são comunicados sobre o atraso e o risco no corte do fornecimento. Poucos tentam negociar a dívida. Ele diz que nos últimos seis meses, o corte foi suspenso devido ao agravamento do desemprego e da crise financeira. ‘‘Mesmo assim, a prefeitura manteve os investimentos. Porém, não é o suficiente para garantir água a todos’’, afirma.
Ele calcula que nos últimos quatro anos foram perfurados mais 14 postos e feitas 3.500 novas ligações. ‘‘No último final de semana, três bombas queimaram por causa de raios. Tudo isso requer dinheiro para garantir o abastecimento’’, diz. Segundo Oliveira, algumas famílias realmente não têm condições de pagar, mas existem os que se aproveitam da situação. ‘‘O valor da tarifa é de R$ 6,19 por 10 mil litros. Quem economiza consegue pagar em dia’’.
Para os usuários inadimplentes o valor está alto. A dona de casa Inês Meireles, que mora com o marido e três filhos pequenos, reclama que não consegue pagar a tarifa há três meses. Ela mostra o último talão de cobrança, de R$ 21,00 e diz que até novembro pagava R$ 15,00. ‘‘Meu marido está desempregado’’, explica.
A faxineira Maria de Fátima Pinheiro, que mora sozinha, acha que o valor da água está alto. Ela paga em média R$ 18,00 por mês. ‘‘Não pago faz três meses porque acho caro, mas até agora não recebi nenhum comunicado sobre o corte’’.

mockup