Prefeitura vai à Justiça cobrar devedores
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quarta-feira, 27 de junho de 2001
Marta Medeiros De Maringá 
A Prefeitura de Maringá decidiu cobrar judicialmente devedores de mais de R$ 2 milhões em impostos municipais. Advogados da Procuradoria Jurídica ajuizaram 1.866 ações de execuções fiscais, ontem à tarde, no Fórum de Maringá. Objetivo da prefeitura é receber pelo menos R$ 1 milhão das dívidas, sendo a maioria de IPTU e ISSQN. A execução judicial implica na penhora de bens para a garantia do pagamento.
Segundo o procurador jurídico, Alaércio Cardoso, a expectativa é de receber somente metade do dinheiro porque muitas empresas devedoras não existem mais. As ações ajuizadas ontem são de dívidas que variam de R$ 450,00 a R$ 54 mil de pessoas físicas e jurídicas. A cobrança feita pelo município se refere ao período de 1996 a 2000.
Os processos judiciais podem levar até dois anos para serem concluídos. São vários procedimentos, como da própria penhora e outros recursos que demandam tempo até que o município receba de fato a dívida, disse o procurador. Cardoso acredita porém, que após o ato de citação do devedor, a prefeitura vai receber naturalmente a procura de interessados em acordo. A prefeitura está aberta para acordos e tem inclusive propostas de parcelamento das dívidas, ressaltou Cardoso. Conforme o procurador, o maior problema do acordo depois do ajuizamento da ação é que o devedor tem o valor da dívida acrescido das custas processuais.
Além da necessidade de dinheiro, a prefeitura está atuante na cobrança de impostos atrasados por causa de exigências previstas na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). O trabalho é feito entre a Secretaria Municipal de Fazenda e a Procuradoria Jurídica.
O procurador evitou criticar a administração anterior, mas lembrou que as dívidas já deveriam ter sido cobradas judicialmente, pois muitas têm mais de cinco anos. A execução fiscal nunca foi uma medida política simpática, destacou Cardoso. Para o procurador, a prática do clientelismo sempre provocou prejuízos aos cofres públicos e no caso de Maringá levou ao excesso de ações.
No final da gestão passada, quando o ex-prefeito de Maringá, Jairo Gianoto, foi afastado judicialmente do cargo por causa das denúncias de improbidade administrativa, chegou a circular pela cidade a lista com os nomes dos maiores devedores da prefeitura. Na ocasião, a comunidade ficou indignada com a omissão do município em não cobrar os grandes inadimplentes de impostos. A Secretaria de Fazenda era comandada pelo ex-secretário Luiz Antônio Paolicchi, preso em dezembro do ano passado, acusado junto com Gianotto de promover desvios que ultrapassam R$ 100 milhões.


