Prefeitura terceiriza cobrança de dívida
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segunda-feira, 31 de maio de 1999
Marccio W. Varella 
Dos R$ 45 milhões que a Prefeitura de Maringá tem para receber de impostos (principalmente IPTU e ISS) atrasados, entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões podem ser considerados perdidos. São impostos tão antigos que a prefeitura já descartou a possibilidade de algum dia vir a recebê-los, disse à Folha o secretário de Governo José Vieira.
Ontem, no último dia que os inadimplentes tiveram para negociar suas dívidas diretamente com a Secretaria Municipal da Fazenda, cerca de 1,5 mil pessoas lotaram o setor onde funcionam os caixas. A fila se alongou pelas escadarias que levam do segundo ao terceiro andar. A partir de hoje, as dívidas terão de ser negociadas com a empresa privada que ficou responsável pela cobrança das dívidas.
O secretário Vieira explicou que os carnês que estiverem em dia poderão ser pagos diretamente na prefeitura, ou nos bancos. Somente os impostos atrasados é que deverão ser pagos à esta empresa, que recebe R$ 14,77 da prefeitura por imposto atrasado arrecadado. A multa para o contribuinte continua sendo de 2% de juros, explicou.
A inadimplência continua no mesmo patamar de há cinco anos, entre 20% e 25%. É uma inadimplência histórica. A nossa prefeitura nunca conseguiu resolver este problema porque fica difícil trabalhar com cobradores. Agora, com esta empresa, esperamos que dentro de seis meses ela arrecade pelo menos R$ 500 mil em impostos atrasados, afirmou Vieira.
O mecânico Edmilson Francisco da Silva, 37 anos, casado, sem filhos, mora no bairro Jardim Real, próximo ao Hospital Universitário (HU). Ele tem R$ 211,51 de IPTU para pagar relativo a 99; no ano passado ele também não pagou o imposto. Ontem ele foi tentar parcelar toda a dívida em dez meses, ou até mais, depende de como ficar a negociação, disse ele.
Em Maringá, 75% da população paga impostos. Quem paga em dia tem 10% de desconto e concorre a sorteio mensal de um carro. Quando o prefeito Jairo Gianoto (PSDB) assumiu a administração em 1996 a dívida com inadiplência ultrapassava os R$ 50 milhões.


