A prefeitura, a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), a Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) e a Francovig receberam ontem a notificação do juiz substituto Álvaro Rodrigues Júnior, que requer pronunciamento destas entidades sobre o pedido de liminar do promotor de Defesa do Consumidor, Miguel Sogaiar, que exige o cancelamento do reajuste da tarifa do ônibus em Londrina. Na semana passada, o valor do passe subiu de R$ 1,35 para R$ 1,60. Os quatro órgãos têm até quinta-feira para enviar à Justiça documentação que comprove a necessidade de aumento da tarifa.
A TCGL e a Francovig informaram, por meio de suas assessorias de imprensa, que irão entregar suas argumentações dentro do prazo. O presidente da CMTU, Wilson Sella, disse que a Companhia tentará atender ao pedido até antes do prazo estipulado de 72 horas. ''Nosso interesse é resolver essa questão o mais rápido possível'', afirmou.
Ontem, venceu o prazo dado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Londrina (Sinttrol) para que as duas empresas de transporte assinassem o acordo coletivo espipulando o reajuste salarial de 18,5% para motoristas e cobradores. O presidente do Sinttrol, João Batista da Silva, informou que o documento deve ser assinado hoje. ''Estamos propondo algumas alterações na redação do acordo', disse Batista.
Ontem à noite, foi realizada uma audiência na Câmara para discutir o reajuste do passe. A reunião começou às 20 horas, com cerca de uma hora de atraso. O primeiro a falar foi o promotor de Defesa do Consumidor, Miguel Sogaiar. Ele voltou a dizer que o aumento é ilegal e que a CMTU, por ser uma empresa de economia mista, não poderia fixar a tarifa.
Por questão de segurança, apenas 140 dos 200 lugares nas galerias seriam ocupados, e marcados através de distribuição de senha. A Polícia Militar disponibilizou 80 homens para garantir a segurança. Para o público que não retirou senha, foi instalado um telão na rampa que dá acesso à Câmara.
Até ontem à tarde, a União Londrinense dos Estudantes Secundaristas (Ules) tinha retirado 35 senhas, mesmo número do Diretório Central de Estudantes (DCE) da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O Sinttrol retirou 25 senhas. Às 20 horas de ontem, ainda havia lugar nas galerias e cerca de 80 pessoas acompanhavam a sessão no lado de fora, pelo telão.
Na semana passada, vários protestos contra o aumento foram feitos por estudantes. A polêmica do reajuste da tarifa parece ter chamado a atenção dos vereadores quatro deles irão propor nos próximos dias projetos relativos a tarifas públicas. Tercílio Turini (PSDB) disse que irá propor uma lei que determina que o Poder Legislativo seja consultado quando a porcentagem do reajuste da tarifa do ônibus supere o índice de inflação.
Sidney de Souza (PTB) irá sugerir a criação do Conselho Tarifário para o Transporte Coletivo, com representantes do poder público e da comunidade, para que a qualidade e os valores do serviço na cidade sejam discutidos. Já Henrique Barros (PDT) irá reapresentar um projeto do ano passado, que cria a Comissão Permanente de Política Tributária e Tarifária da Câmara, que debateria os valores de tarifas e tributos na cidade. A medida é apoiada por Orlando Bonilha (PL), que sugere que o grupo nasça de uma divisão da Comissão de Defesa do Consumidor e de Segurança Pública.

mockup