Prefeitura tem 8 folhas de pagamento em atraso
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sábado, 04 de abril de 1998
Sid Sauer 
Marcos NegriniOposiçãoPresidente da Câmara Antônio Sena Os funcionários da Prefeitura de Goioerê (72 km a oeste de Campo Mourão) têm oito folhas de pagamento em atraso para receber. Mesmo assim, não há greve. A crise começou em 1996, com o ex-prefeito José Paulo Novaes (PDT), e voltou no segundo semestre do ano passado, já com o prefeito Vicente Okamoto (PSDB). Alegando falta de dinheiro, a prefeitura vai pagando como pode e demora em média 40 dias para quitar uma única folha.
As justificativas da prefeitura, no entanto, não convencem o Sindicato dos Servidores Municipais, que na semana passada impetrou um mandado de segurança pedindo o bloqueio de 60% da arrecadação do Município. O parecer da Justiça deve sair ainda esta semana.
Além disso, a Câmara de Vereadores vai votar amanhã à noite um requerimento pedindo a abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar o que a prefeitura está fazendo com a arrecadação. A votação deveria ter acontecido na semana passada, mas o assunto foi retirado de pauta porque três vereadores deixaram a Câmara no meio da sessão. Sem eles, a CEI não seria aprovada e a oposição pediu a retirada da votação.
É difícil a CEI ser aprovada. O prefeito tem maioria na Câmara, reconhece o presidente Antônio Bernardino Sena (PMDB), um oposicionista assumido. São cinco vereadores de oposição, cinco da situação e três independentes, mas que sempre votam a favor do prefeito. Nos últimos seis meses, quatro CEIs já foram recusadas em plenário. Se tudo está certo, não sei porque a prefeitura tem medo de ser investigada, provoca Sena. A Câmara também não recebe seus repasses há cinco meses.
Basedo em balancetes que a prefeitura manda todo mês à Câmara, Sena diz que a atual administração já arrecadou R$ 11 milhões e gastou apenas R$ 4,5 milhões com folhas de pagamento. Queremos saber onde foi parar o resto, diz. Por enquanto, o presidente está sem resposta e os funcionários da Câmara sem salário. Ao todo, eles têm oito meses para receber (três da administração anterior e cinco da atual).
O coordenador geral da prefeitura, Édson Scardua, acusa a Câmara de não ter seguido o exemplo do Município - de ter reduzido o número de funcionários, por exemplo - e diminuído o salário dos vereadores e a estrutura da Câmara. Cada vereador de Goioerê tem um salário de R$ 2,7 mil e o presidente, segundo Scardua, chega a ganhar R$ 5 mil. O salário não é ruim, mas em compensação nós não recebemos, frisa Sena.


