O prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL), anunciou ontem o início de uma campanha de conscientização no trânsito a partir da segunda quinzena do mês de junho. A intenção é orientar os motoristas sobre a necessidade de dirigir com atenção e com velocidade reduzida. Durante este período, todas as multas e pontos por excesso de velocidade em lombadas eletrônicas ou radares estarão suspensas. ‘‘As pessoas serão advertidas durante um período de 40 a 45 dias e não terão que pagar multas’’, explica o prefeito.
A campanha de esclarecimento público segue as normas definidas pelo Código de Trânsito Brasileiro. Todos os motoristas que excederem o limite de velocidade nas 38 lombadas eletrônicas, 26 radares ou que furarem o semáforo num dos quatro cruzamentos com câmeras instaladas na cidade serão orientados e receberão uma notificação em casa. ‘‘O código de trânsito prevê um período de adaptação da população e, por esta razão, temos que nos adequar e orientar o cidadão’’, disse Taniguchi. Pelos estudos da Prefeitura de Curitiba, deverão ser instalados 66 radares e 30 câmeras (chamadas de ratoeiras) nos principais cruzamentos da cidade.
A prefeitura não abrirá mão das placas educativas nos locais onde os radares estiverem sendo instalados. ‘‘Acho que a população precisa obedecer as normas de trânsito, mas temos que continuar educando’’, argumentou Taniguchi.
A idéia da realização da campanha educativa sem multas, surgiu após uma conversa entre o prefeito da cidade e o presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury (PFL). De acordo com Khury, uma indústria da multa estaria se proliferando na cidade e os motoristas não estavam sendo devidamente orientados. As divergências sobre a aplicação das multas aumentaram no início do mês quando dois agentes da Diretoria de Trânsito (Diretran) foram presos quando multavam carros estacionados irregularmente ao lado da Assembléia Legislativa, numa faixa especial para táxis. ‘‘Num raio de 100 metros, a competência para multas é da segurança da Assembléia Legislativa’’, reivindicou Khury, na época.
Taniguchi disse ontem que os agentes da Diretran estavam cumprindo o papel deles de aplicação das multas na região e atenderam uma solicitação popular feita por telefone. ‘‘Foi uma questão interna da Assembléia Legislativa e eu não foi discutir isto’’, afirmou o prefeito. Mesmo declarando que a atitude dos agentes estava correta, Taniguchi disse que, por enquanto, não voltará a multar os carros que estiverem estacionados próximos à Assembléia.
O prefeito de Curitiba se defendeu ainda das acusações de que os agentes da Diretran estavam se especializando na aplicação de multas, sem a devida consicentização. ‘‘Nunca existiu uma indústria de multas em Curitiba’’, rebateu ele.
Uma nova conversa para aparar as ‘‘arestas’’ que restaram das divergências entre as duas lideranças pefelistas deverá acontecer durante um almoço marcado para hoje, na Assembléia Legislativa.

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