A Prefeitura de Londrina e a assessoria jurídica que representa os sem-teto, que ocupam uma área de fundo de vale no Jardim Marieta (zona norte), protocoloram ontem no Fórum uma lista com oito sugestões de terrenos para onde poderão ser transferidas as 105 famílias que estão no local desde maio. Ontem, era o último prazo para que as duas partes apresentassem alternativas ao juiz da 3ª Vara Civil, Vitor Roberto Silva.
A Procuradoria-Geral do município fez três sugestões de áreas que podem acolher as famílias de sem-teto. Foram indicados 16 lotes no Jardim Campos Verdes, 49 lotes no Jardim Maracanã e 40 lotes no Jardim João Turquino. Todas as áreas estão localizadas na zona oeste da cidade.
Anteriormente, a prefeitura já havia proposto aos sem-teto a transferência deles para a zona oeste, mas eles não aceitaram alegando que pretendem permanecer na zona norte, onde trabalham e estudam. A prefeitura alegou que não há nenhum área na zona norte disponível para assentamento.
O advogado Marcos Leate, que defende os sem-teto, informou que as famílias sugeriram cinco terrenos, todos na zona norte, para onde elas aceitam serem transferidas. As áreas são as seguintes: cinco alqueires nos fundos do Jardim São Jorge, um terreno destinado ao Poupalar no prolongamento do Jardim Novo Horizonte, nove alqueires ao lado do Jardim Nova Olinda, um terreno nos fundos do Cemitério Jardim da Saudade e uma área de 48 alqueires no Conjunto Lindóia, onde seria a sede da Pepsi Cola.
Segundo o juiz Vitor Roberto Silva, as duas partes deverão ser convocadas ainda nesta semana para que prestem informações sobre as áreas indicadas. ‘‘Pretendo decidir essa questão o quanto antes. Vou ouvir o que cada uma das partes tem a falar sobre as áreas indicadas para definir se vou manter ou não a liminar de reintegração que está suspensa’’, disse.
O mecânio desempregado Paulo Batista Ribas, 31 anos, pai de dois filhos, disse que já morou no Jardim João Turquino, mas que abandonou o local depois de sua casa ter sido roubada por diversas vezes. ‘‘Saíamos para trabalhar e quando voltavamos pra casa tinham roubado tudo. Lá é muito difícil de viver, mas se não houver outro jeito temos que voltar para lᒒ, disse.
A área ocupada pelos sem-teto no Jardim Marieta está destinada a construção de uma escola, espaço de lazer e centro comunitário. No dia 1º de maio, cerca de 30 famílias moradoras do Conjunto Vivi Xavier, também na zona norte, ocuparam a área. Hoje, de acordo com a liderança dos invasores, estão no local 105 famílias. Para a prefeitura, são 67 famílias, conforme informação de oficiais de Justiça que estiveram no local para notificar os moradores sobre a reintegração de posse expedida e mais tarde suspensa.

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