De Curitiba
A Fazenda Solidariedade, mantida pela Prefeitura de Curitiba no município de Campo Magro, da Região Metropolitana, para reabilitação de dependentes químicos, iniciou um programa de trabalho remunerado com os seus 200 internos. O programa de reabilitação com trabalho remunerado é destinado a pacientes que já passaram pelo processo de desintoxicação, estão prestes a sair para o convívio normal com a sociedade e querem participar das atividades.
Todo o processo demanda um tratamento médio de nove meses, desde as etapas de desintoxicação, conscientização e reintegração. A fazenda é destinada aos dependentes químicos que perderam o vínculo com a família, como os que vivem nas ruas. Cerca de 90% são dependentes de álcool.
Com este programa, a fazenda quer, nos próximos 12 meses, aumentar de 11% para 14% o índice de recuperação de seus 200 internos. A Prefeitura vai enfrentar o desafio estimulando os pacientes com o trabalho remunerado no cultivo e preparo de ervas para a Agroindústria e Laboratório Fitoterápico da fazenda, que desde março produz remédios naturais para as unidades de saúde municipais.
O índice de 11% já é melhor que a média mundial de recuperação de dependentes preconizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), de 10% no tratamento de dependentes de álcool e outras drogas. ‘‘Mas ainda podemos fazer melhor, através do trabalho, que valoriza o ser humano e o estimula a exercer sua cidadania. Quando retornar à vida fora dos portões da fazenda, a pessoa reabilitada estará melhor preparada para o trabalho e convívio com a comunidade’’, diz o prefeito Cassio Taniguchi.
As mudanças na Fazenda Solidariedade para a nova fase do tratamento já começaram a acontecer. Um grupo de 30 internos, em fase final de reabilitação por uso de álcool ou drogas, está trabalhando na colheita de ervas da Agroindústria Farmacêutica, projeto coordenado pela Fundação de Ação Social (FAS) para produção de remédios naturais. Eles recebem por mês uma ajuda de custo de R$ 80,00.
‘‘O objetivo desta nova metodologia de reabilitação é fazer os pacientes se envolverem mais com o trabalho, preocuparem-se com horários, com o desempenho, produtividade e relações pessoais - com os outros colegas e com chefe’’, explica a psicóloga Lucia Verenka Koltun, coordenadora do programa de reabilitação. Um dos resultados é a melhora da auto-estima, uma vez que os pacientes se sentem úteis.

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