O polêmico projeto de lei que propõe cercar a Praça Tomi Nakagawa, localizada no Centro de Londrina, teve mais um capítulo esta semana. Os órgãos consultados pela Comissão de Justiça da Câmara de Vereadores emitiram parecer contrário à medida. A vereadora Sandra Graça (PP), autora da proposta, afirmou que pretende convocar autoridades locais e representantes da sociedade para encontrar outras alternativas para conter a degradação da área de lazer.
Segundo Sandra Graça, todos os órgãos consultados avaliaram negativamente a proposta. ''O projeto foi apresentado à Secretaria Municipal de Obras, Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e Ippul (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina)'', explicou.
A vereadora acredita que o projeto de lei foi mal-interpretado. ''Alegaram que a praça é um local público e que cercá-la iria tirar o direito da pessoa ir e vir. Na realidade, a ideia é concentrar a entrada e saída em apenas duas portarias. Dessa forma seria possível melhorar a segurança e acabar com o vandalismo na praça'', afirmou.
''A proposta de cercar a praça é uma resposta ao apelo de membros da comunidade japonesa, que se mostrou indignada com a rápida degradação da praça e com a presença constante de usuários de drogas no local'', argumentou a vereadora.
Diante da negativa dos órgãos consultados pela Comissão de Justiça da Câmara, Sandra Graça disse que pretende se reunir com representantes de vários órgãos e entidades para argumentar sobre o projeto e ouvir sugestões sobre outras possíveis medidas preventivas.
Os usuários da praça se dividem quanto ao cercamento do espaço. ''Acho que a praça deveria continuar aberta. Se fosse fechada, muita gente deixaria de visitá-la'', afirmou a vendedora desempregada Jocelaine de Oliveira, ao lado da filha Gabriela, 7 anos.
''Seria uma boa alternativa cercar a praça para melhorar a segurança. Hoje mesmo não vi nenhum guarda municipal aqui. Deveriam ter mais cuidado com a praça, que é tão bonita'', enfatizou a dona de casa Roberta Conson, que visitou a praça ao lado do esposo Luiz Eduardo Pinto e do filho Gustavo.
Legislações proíbem fechamento
A presidente do Ippul, Regina Célia dos Santos Nabhan, afirma que emitiu parecer negativo ao cercamento da Praça Tomi Nakagawa com base em leis nacionais. ''Todas as legislações que foram consultadas, nacionais e até internacionais, proíbem o fechamento de espaços públicos'', afirmou.
Na avaliação do secretário municipal da Defesa Social, Joaquim Antonio de Melo, cercar a Praça Tomi Nakagawa não iria resolver o problema da violência no local. ''Estando ou não cercada o nosso trabalho continuaria sendo o mesmo. O problema da praça são os moradores de rua, que dormem no local e ainda fazem uso e comércio de drogas'', garantiu.

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