A arquitetura do Jardim Shangri-lá A, um dos mais antigos da Zona Oeste de Londrina, foi pensada para ser funcional. Os quarteirões longos tornam o tráfego de veículos mais rápido e eficiente, em especial na movimentada Avenida Leste-Oeste. E os pedestres não foram deixados de lado. Para facilitar a vida de quem anda a pé, dezenas de vielas cortam as quadras do bairro e de áreas vizinhas.
O que era para ser solução, tornou-se dor de cabeça para parte dos moradores. Eles afirmam que as vielas transformaram-se em áreas de emboscadas e são ocupadas, dia e noite, por assaltantes e garotas de programa. Os moradores do bairro, então, decidiram mobilizar-se para cobrar uma atitude do poder público. Foram mais de duas mil assinaturas cobrando o fechamento das passagens.
A medida foi aprovada pela Câmara Municipal e a comercialização das áreas está tendo uma procura razoável. A autorização para a venda é restrita a 14 vielas de bairros da Zona Oeste. A maior parte dos moradores do Shangri-lá A, consultados pela reportagem, concorda com o fechamento das vielas. E o motivo apontado é, sempre, a insegurança.
''Quando o bairro foi construído, o planejamento foi bom porque facilitava para os pedestres. Mas com a violência que está hoje, bem diferente de anos atrás, não se justifica mais manter as vielas'', opinou o corretor de seguros Alan Milano, 33 anos, que trabalha em empresa vizinha a uma das vielas do Shangri-lá A.
A opinião dele é semelhante à de grande parte da vizinhança. O morador do bairro e presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), José Augusto Rapcham, ressaltou que as vielas são pontos de ''emboscadas, prostituição e tráfico de drogas''. ''Como (as vielas) não têm trânsito de carros e motos, fica fácil para os bandidos fugirem'', disse. Questionado sobre o prejuízo para os pedestres, ele argumentou que ''condomínios fechados também têm quarteirões longos''.
A dona de casa Jéssica Lidiene Lima, 32, queixou-se também do abandono dos locais. Algumas vielas estão tomadas pelo mato alto. ''Nisso a gente até dá um jeito. Tomamos a iniciativa e fazemos a roçagem. Mas o problema da segurança assusta. Ficamos prisioneiros dentro de nossas próprias casas'', disse.
De acordo com a diretoria de bens públicos da prefeitura, a comercialização de 14 vielas atinge os jardins Shangri-lá A e B e o Jardim do Sol. Um estudo para adequação das redes hidráulica e elétrica já está pronto. Em alguns casos, os moradores estarão impedidos de construir, mas poderão incorporar a área às propriedades.
O diretor de bens públicos, Wagner Trindade, admitiu que a comunidade dos bairros não foi consultada. ''Não houve contato com os moradores. Estamos aguardando nos procurarem para negociar as áreas'', salientou. O detalhe é que a iniciativa do abaixo-assinado partiu apenas dos moradores do Shangri-lá A.

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