Prefeitura quer reduzir custo do lixo
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quarta-feira, 04 de abril de 2001
Érika PelegrinoDe Londrina 
A empresa vencedora do processo de licitação que terceiriza a limpeza pública de Londrina terá que cumprir as exigências da política para o setor desenvolvida pelo município. Em audiência pública realizada segunda-feira na Câmara de Vereadores, foi cobrado do Executivo um plano para a coleta de lixo, antes de discutir a municipalização ou terceirização do serviço.
O presidente da Companhia Municipal de Transporte e Urbanização (CMTU), Wilson Sella, esmiuçou ontem para a Folha como a questão da limpeza pública em geral será tratada pelo município e pela empresa vencedora da licitação.
Sella explicou que a empresa participante do processo terá conhecimento das exigências do município no próprio edital. Cada item, coleta seletiva, coleta e destino do lixo domiciliar, do lixo hospitalar, administração do aterro, varrição de ruas, tudo deverá ser cumprido de acordo com o determinado pelo município.
A meta é, em cinco anos, tempo de contrato com a empresa, diminuir em 50% a quantidade de lixo destinada ao aterro sanitário e, consequentemente o custo do serviço. De imediato, o custo da tonelada de lixo domiciliar coletada deverá ser reduzida em 25%, caindo de R$ 57,85 para R$ 43,35. Hoje são despejados no Lixão 371 toneladas de lixo por dia.
Para alcançar esta meta, a implantação da coleta seletiva é o carro-chefe da política desenvolvida pelo município. Sella afirma que a empresa será responsável por fazer a coleta e levar até os centros de reciclagem. A empresa terá que investir em cinco caminhões, funcionários e campanha de conscientização com distribuição de panfletos e sacos plásticos.
Para a implantação das centrais de reciclagem, segundo Sella, será aproveitada a usina de reciclagem e compostagem comprada há quatros e guardada em Cornélio Procópio. A usina será desmembrada em duas, já que sua implantação custaria R$ 1,2 milhão, e ficará em dois pontos: na atual Central de Moagem e no próprio aterro sanitário.
Sella afirma que a reciclagem não será responsabilidade da empresa que irá terceirizar o serviço. Para este serviço, a idéia é envolver organizações não-governamentais para criar um marketing do lixo reciclado, através da confecção de produtos a partir destes materiais como camisetas, mangueiras, vassouras e outras. Desta forma a pessoa irá visualizar a reutilização do lixo. Com isto queremos que separar o lixo para reciclagem seja algo natural, um hábito, afirma Sella.
Criar esta consciência na população é um processo a longo prazo que depende de um programa de educação ambiental. Para isto, vários projetos no setor estão sendo estudados e desenvolvidos em conjunto com a Secretaria Municipal de Educação, Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (IPPUL) e Autarquia Municipal do Ambiente (AMA). O dinheiro obtido com o lixo reciclável, de acordo com o presidente da CMTU, será investido nestes projetos e na própria reciclagem do lixo.
Há duas semanas, dois caminhões da Vega Ambiental estão percorrendo os bairros de Londrina e efetuando a coleta seletiva. Neste período, triplicou a quantidade coletada, que passou para nove toneladas. O material é levado para a Central de Moagem que ainda funciona de forma precária, com a separação sendo feita manualmente. A receita gerada pelo lixo reciclado Sella afirma que será investida na adequação da central, que se transformará em duas centrais de seleção e prensamento, aproveitando a usina que está em Cornélio Procópio sem uso.
Os projetos de educação ambiental que estão sendo desenvolvidos, o marketing do lixo reciclável com a confecção de produtos e os caminhões passando diariamente nas casas, irão criar a consciência de reciclagem do lixo no população, de acordo com Sella. Ele acredita que, em 2003, a coleta seletiva estará implantada em toda a cidade com adesão de toda a população.
O edital contendo a política da prefeitura para o lixo pode ser encontrado na Internet no site www.Londrina.pr.gov.br


