Prefeitura quer mais prazo para catadores
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quarta-feira, 31 de julho de 2002
Marta Medeiros<br> Equipe da Folha 
Maringá - A Prefeitura de Maringá vai pedir ao Ministério Público a ampliação do prazo para retirada dos catadores que atuam no lixão. Em junho o MP pediu à Justiça uma ordem para retirada das famílias, além de uma série de providências do município com relação ao aterro. Segundo o secretário de Meio Ambiente, José Eudes Januário, a providência mais ''complicada e delicada'' será a de retirar as famílias que resistem em sair do local. O prazo era de 30 dias, mas a Justiça ainda analisa o pedido do MP.
Januário disse ontem que não quer uma data específica para evitar qualquer tipo de embate entre a prefeitura e os catadores de lixo. ''Se houver uma data certa é provável que o pessoal se junte para tentar impedir a ordem judicial'', avalia o secretário. Segundo Januário, a secretaria pretende primeiro providenciar um local de trabalho - como uma cooperativa - para uma saída natural dos catadores. As cooperativas de lixo que existem na cidade não congregam e nem animam todos os trabalhadores.
Desde que o MP formalizou o pedido, os catadores afirmam que não pretendem sair do lixão. A maioria também não aceita a idéia de trabalhar em sistema cooperado porque os rendimentos seriam menores. O aterro abriga atualmente cerca de 150 catadores que disputam materiais recicláveis vindos das 277 toneladas de lixo - incluindo o hospitalar - produzidos por dia em Maringá.
O lixão ocupa uma área de 9,5 alqueires na zona sul da cidade. Além da poluição atmosférica provocada pela emissão de gases na queima do lixo, o lençol freático está comprometido pelo excesso de chorume, líquido corrosivo poluente que se infiltra no solo. Na região do lixão nasce o Ribeirão Pinguim, o que amplia os danos ambientais na área.
Segundo o secretário, todo o local já foi cercado com alambrados para atender um pedido feito pelo MP. O projeto da prefeitura sem data definida, prevê a construção de um aterro sanitário em uma área vizinha e a recuperação ambiental do atual lixão. Pelo menos R$ 2 milhões estão garantidos no orçamento municipal para as obras de recuperação e para construção do aterro.
No ano passado, o MP propôs uma ação contra a prefeitura para obrigar o município a mudar o local do lixão. Segundo a Promotoria Especial de Defesa do Meio Ambiente, uma lei federal em vigor desde 1981 impõe à União, estados e municípios a implantação de uma política ambiental com diretrizes que incluem a destinação do lixo urbano.


