Luciane TononMudança polêmicaUm conjunto habitacional será construído no terreno próximo do bairro Pedro Filipaki para abrigar os favelados. Os vizinhos temem que a mudança acabe com a segurança e a tranquilidade da região.JACAREZINHO - Moradores do bairro Pedro Filipaki, em Jacarezinho, estão se sentindo ameaçados pelo processo de desfavelamento da favela da Pedreira. Os moradores da Pedreira deverão ser abrigados no conjunto habitacional em construção nas imediações do bairro Pedro Filipaki. O prefeito Mário Clóvis Gaspar (PSDB) discutiu esta semana a situação com a Associação dos Moradores do Filipaki.
Um total de 47 casas de 50 metros quadrados vão ser construídas no conjunto, permitindo a erradicação da favela, que tem hoje 123 barracos. O projeto tenta dar condições dignas de vida à população carente e revitalizar o vale onde fica a favela.
Algumas casas da favela correm riscos de desabar em dias de chuva. ‘‘As 47 famílias que estão instaladas em maiores situações de risco vão ter preferência para a ocupação das casas novas’’, explicou o prefeito.
Preconceito Porém, os moradores do bairro Pedro Filipaki estão inconformados com a instalação dos favelados ali. A família Borgui argumenta que o bairro sempre teve um ambiente tranquilo e familiar. ‘‘Tememos pela falta de segurança que podemos ter com a vinda deles, principalmente com as crianças’’, diz a moradora Silvia Borgui.
Ela diz que não é uma questão de preconceito e sim ‘‘falta de preparação de algumas pessoas’’ para se estabelecerem ali. O prefeito pede paciência aos moradores do bairro, argumentando que as pessoas carentes merecem uma chance de ter melhor qualidade de vida.
‘‘São pessoas normais, apenas menos favorecidas do que outros. Não podemos fazer esta discriminação’’, afirma o prefeito. Mário Gaspar garante que a prefeitura não vai permitir que o novo conjunto habitacional seja uma continuidade da favela. ‘‘As pessoas só levarão os móveis, nada de barraco de lona no fundo do quintal. Além disso, eles estarão sendo acompanhados pela Secretaria de Ação Social’’. Com as novas casas, toda a região vai ganhar rede de esgoto, inclusive o bairro Pedro Filipaki.
O projeto das casas, que havia sido feito pela Cohapar na gestão anterior. O financiamento será em três anos, com prestações mensais de R$ 12,00 no primeiro ano, R$ 15,00 no segundo e R$ 19,00 no terceiro.
Para ser beneficiado, o mutuário terá que seguir algumas regras. É proibido vender a casa. O favelado tem que provar que não tem outra casa popular e comprovar baixa renda. ‘‘Sabemos que tem gente que já teve oportunidade de ter uma casa própria, depois vendeu e voltou para a favela. Isso não será permitido’’, alertou o prefeito.
Apesar da baixa qualidade de vida, muitos favelados temem sair do local, principalmente porque os barracos serão destruídos. A dona-de-casa Lúcia Sebastiana Pinto, por exemplo, quer entrar na Justiça porque comprou um barraco no valor de R$ 2 mil, já pagou R$ 1,2 mil e ele será derrubado na mudança.
O terreno onde fica o barraco de Lúcia Sebastiana é da Rede Ferroviária Federal. E a vendedora da casa, Iracilda Gonçalves de Oliveira, quer receber o restante do dinheiro. ‘‘Não sei como vai ficar esta situação. Só não posso sair perdendo’’.

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