Prefeitura quer demolir coreto
Sid Sauer
A prefeitura de Campo Mourão quer demolir o coreto construído há mais de 40 anos na praça Getúlio Vargas, no centro da cidade. A demolição faz parte do projeto de revitalização das praças São José e Getúlio Vargas, que pode ser iniciada ainda este ano. Quem vai decidir, no entanto, se o coreto pode ou não ser retirado do local é a Câmara de Vereadores, uma vez que desde julho de 1993 a obra foi tombada como patrimônio histórico-cultural do município.
O projeto de lei que exclui o coreto das obras tombadas pelo patrimônio histórico-cultural já está sendo analisado por quatro comissões da Câmara. Na mensagem justificativa que acompanha o projeto, o prefeito Tauillo Tezelli (PPS) reconhece que a obra é histórica, mas alega que o coreto não tem mais nenhuma utilidade e que conta com uma arquitetura pobre. Nem sempre o antigo é melhor que o novo, diz um trecho da mensagem.
De acordo com o prefeito, a parte histórica da praça será preservada através do chafariz, que será reformado e voltará a jorrar água durante todo o dia. Ainda na justificativa, Tezelli diz que o coreto pode ser removido e reconstruído no Jardim Santa Cruz, um bairro histórico da cidade. A sugestão da prefeitura é que a imagem do coreto seja mantida na história através de fotografias, filmes em vídeo ou digitalizados em CD-Rom. O material ficaria guardado num futuro museu a ser feito na atual rodoviária.
A proposta de demolição do coreto já começa a render polêmica. Mesmo entre os vereadores aliados do prefeito há quem discorde. O presidente da Câmara José Eugênio Maciel (PPS) ataca a proposta. Segundo ele, o coreto não atrapalha a revitalização das praças. Sou a favor da modernização, mas a história tem que ser preservada, disse. Hoje tiram o coreto e amanhã, vão querer demolir o quê?
Construído no final da década de 1950, o coreto foi point de Campo Mourão durante os anos 60, com apresentações regulares da Banda Municipal e até a manifestação de autoridades. Há mais de 20 anos a obra está abandonada e serve apenas de abrigo para mendigos e andarilhos. O local vive sujo e o forro de madeira está caindo. O tombamento histório não fez a obra merecer maiores cuidados, admite Tezelli.





