A Prefeitura de Londrina prorrogou para hoje o recebimento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) em atraso tomando como base o valor da Unidade Fiscal de Referênica (Ufir) de dezembro (R$ 0,8847) e não de janeiro (R$ 0,9108). Ontem era o último dia para pagar com a Ufir de dezembro, mas as filas foram tão grandes durante todo o dia que o prefeito Antonio Belinati autorizou a Secretaria da Fazenda a atender contribuintes até as 22 horas de ontem e estender o benefício para hoje.
Além de reservar um dinheiro extra para arcar com multas e juros, o contribuinte com o IPTU em atraso precisou de boa dose de paciência ontem. Muitos inadimplentes enfrentaram duas filas: uma para o cálculo de juros e multas e outra para o pagamento do tributo.
A greve dos servidores no final do mês passado agravou a situação dessas pessoas que deixam para dezembro o pagamento do imposto. Nos dias 2 e 3 de janeiro, a arrecadação do IPTU foi em torno de R$ 400 mil, segundo o secretário da Fazenda Luiz Cesar Guedes. Ele não tinha idéia de quanto seria a arrecadação ontem. ‘‘A demanda foi acima do esperado’’, disse o secretário. Os inadimplentes do IPTU somam 20 mil - de um total de 130 mil contribuintes. Estão sendo executados na Justiça 3.500 cujos impostos atrasados datam de antes de 1996. Esses 3.500 representam 80% dos inadimplentes com tributo atrasado anterior a 1996, que totaliza cerca de R$ 25 milhões.
No início da tarde de ontem, as filas começavam logo na escada que leva ao primeiro andar do prédio da Prefeitura, onde fica a tesouraria. O jeito era abanar o carnê e exercitar a virtude da paciência. Quem não precisou de cálculos teve como opção o posto do Banestado, que fica no térreo. Havia menos pessoas, mas a fila chegou a invadir o estacionamento da Prefeitura.
‘‘Sempre carrego comigo palavras cruzadas, mas estou sem agora’’, lamentava a professora Celma Azevedo Ferreira Reis, que tinha três carnês para pagar. Ela conta que ficou com o imposto atrasado por falta de dinheiro. E não tinha certeza se conseguiria pagar o IPTU dos três imóveis. ‘‘Quando acenaram com desconto de 50%, pensei que fosse conseguir pagar tudo. Mas o prefeito vetou. Na verdade foi certo, mas seria uma oportunidade de quitar toda minha dívida. Espero pagar de uma só vez em 97 para não ter que enfrentar fila no final do ano’’.
O funcionário público federal Benjamin Gilberto Riechel, morador de Cascavel, aproveitou as férias para pagar o imposto atrasado do imóvel em Londrina. ‘‘Venho a Londrina uma ou duas vezes por ano. Por isso atrasei’’. O comerciante Artur Marques estava na fila para pagar o imposto atrasado do filho que se mudou para Santa Catarina. ‘‘Estou há uma hora esperando. Mas quero aproveitar o último dia da Ufir de dezembro’’.
Foi de uma hora também o tempo de espera da assistente administrativa Miriam de Cássia Tóffolo. Ela não pagou no final do ano por causa da greve. ‘‘Sempre deixo para pagar o IPTU no final do ano para usar o dinheiro do 13º salário. A greve atrapalhou e agora quero pagar com a Ufir do mês passado’’.

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