Laranjeiras do Sul - Um senhor solitário - tataraneto de José Nogueira do Amaral, o primeiro a enfrentar os índios do sertão de Laranjeiras, no início do século 20, e que chegou a ter 30 mil alqueires de terra na região - é o vigia da prefeitura que mora e cuida da casa que um dia foi do vice-governador do Iguassú. Ele é Alcione Caetano Nogueira, que não herdou nada das terras do tataravô e ocupa os quatro cômodos do fundo da casa. ''Se eu não estivesse aqui, já teriam queimado tudo'', ele comenta. A frase, apesar de catastrófica, soa verdadeira. Já foram destruídos, por ato de vandalismo, os vidros do jardim de inverno e há sinais de invasão nos cômodos que Nogueira não ocupa.
Na semana passada, o promotor de Justiça de Laranjeiras do Sul, Jacson Luiz Zílio, ingressou com uma ação pública cobrando do estado e do município ''medidas urgentes para a preservação do prédio histórico''.
O secretário de Obras e Urbanismo de Laranjeiras do Sul, Leoni Luiz Meletti, garante que o dinheiro necessário para a restauração do prédio, R$ 312.500, está perto de ser liberado pelo governo federal. ''Já temos os R$ 62 mil da contrapartida do município e até o dia 15 de abril os recursos devem estar empenhados'', promete.
Ainda segundo Meletti, a antiga sede do governo do Território do Iguassú também necessita e deve passar por um processo de restauração assim que a prefeitura conseguir um novo prédio para abrigar a Câmara de Vereadores, a secretaria que ele dirige e a Junta Militar, que atualmente funcionam no prédio. ''Isso pode acontecer por meio de uma parceria com o Estado, que tem projeto de construir um novo fórum e passaria o prédio do antigo (fórum) para o poder municipal'', teoriza.
A casa do vice-governador do Território do Iguassú é patrimônio tombado pela Coordenadoria do Patrimônio Cultural do Paraná (CPC). A reportagem da FOLHA entrou em contato com o órgão para checar se há algum plano de restauração para o imóvel. Porém, de acordo com a assessoria de imprensa, a única pessoa que pode conceder entrevistas é a coordenadora de patrimônio cultural, Rosina Parchen, que está em férias. (W.S.)

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