Prefeitura promete repassar hoje dinheiro para entidades
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quarta-feira, 02 de agosto de 2000
Alexandre Sanches De Londrina 
O atraso do repasse de verbas municipais destinadas às 120 entidades assistenciais de Londrina pode ser resolvido ainda hoje. De acordo com uma funcionária da Secretaria Municipal de Ação Social, na reunião que aconteceu ontem de manhã entre o Fórum Permanente das Entidades de Assistência Social de Crianças e Adolescentes e a secretária de Ação Social, Mitue Martins, na Câmara de Vereadores, ficou acertado que as creches devem receber, hoje, os 50% atrasados referentes ao mês de junho. A quantia, de R$ 200 mil, será liberada pela Secretaria de Fazenda.
No início de julho, as creches receberam apenas metade da verba, em função dos problemas de caixa na prefeitura. Em relação ao mês de julho, a funcionária disse que o dinheiro será repassado no 10º dia útil de agosto, conforme é feito todos os meses.
As entidades assistenciais estavam ameaçando, novamente, parar os atendimentos se o dinheiro não saísse logo. A informação foi dada ontem pela presidente do Fórum Permanente das Entidades de Assistência Social de Crianças e Adolescentes, Itamar Kedma Helene Alves
Segundo Itamar Alves, até ontem as entidades não sabiam como ficaria a situação. De acordo com ela, o secretário da Fazenda, Francisco de Assis Simões, não havia dito se haveria dinheiro em caixa. Na semana passada, os coordenadores e diretores das entidades assistenciais estiveram na prefeitura e ameaçaram paralisar o atendimento. A promessa do prefeito Jorge Scaff (PSB) em saldar parte da dívida acalmou a todos.
O mês de julho deve ser pago até o dia 14. Estamos dando um voto de confiança ao prefeito e aos novos secretários. Mas não descartamos a possibilidade de uma paralisação geral, afirmou Itamar.
Na Creche Cantinho dos Anjos, localizada no Conjunto Vivi Xavier (zona norte), a situação é crítica. A entidade atende a 110 crianças com idade de 2 a 6 anos. Ontem, sem dinheiro em caixa, a coordenadora da creche, Delza de Oliveira, fez empréstimo para poder pagar os encargos sociais dos 12 funcionários com o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). Os salários estão atrasados desde junho mas, se não pago o INSS, sujo o nome da entidade e não consigo receber nem da prefeitura, informou Delza.
A alimentação das crianças é feita com doações da comunidade e o estoque só dá para 20 dias. Delza garante que os funcionários só estão trabalhando por amor às crianças.
A atendente Simone Aparecida Torres, 23 anos, disse que só continua trabalhando porque as crianças não têm culpa da situação. Estou com água e telefone cortados. O pouco que tenho em casa é graças ao trabalho de moto-táxi do meu marido e porque não pago aluguel, morando na casa da minha mãe, comentou. Ela, que tem dois filhos na creche onde trabalha, não descarta uma paralisação dos funcionários. A situação está ficando insustentável, afirmou. (Colaborou Maranúbia Barbosa)


