Prefeitura promete pagar até junho
Marcos NegriniScadura: coordenador geralO prefeito de Goioerê, Vicente Okamoto (PSDB), foi eleito com o apoio maciço dos servidores municipais. Ele já tinha sido prefeito da cidade outras duas vezes e nunca havia atrasado o pagamento do funcionalismo.
Era a certeza de dias melhores aos servidores, que terminaram a gestão do ex-prefeito José Paulo Novaes (PDT) com cinco pagamentos em atraso. Hoje, com o mesmo atraso que Novaes acumulou em quatro anos, Okamoto admite que errou.
Segundo o coordenador geral da prefeitura, Édson Scardua, o município, de 32 mil habitantes, teve uma boa arrecadação nos dois primeiros meses do ano passado e projetou despesas com base nessa arrecadação.
Nos meses seguintes, a arrecadação caiu e a prefeitura perdeu o controle das contas. Scardua, no entanto, garante que tudo está sendo acertado para que a dívida com os servidores seja zerada em junho. Ele só não revela como o Município pretende resolver o problema.
Marcos NegriniFachada da prefeitura, que já chegou a abrigar 1.100 funcionários
No total, as folhas em atraso chegam a R$ 1,6 milhão, sendo que R$ 1 milhão ainda são da administração anterior. Pegamos a prefeitura quebrada, diz Scardua. Segundo ele, a dívida com fornecedores era de R$ 3 milhões e, hoje, ainda está em pelo menos R$ 2 milhões e sem perspectivas de pagamento. É impagável, resume o coordenador. O número de funcionários, que chegou a 1.100, foi reduzido para 700 e Scardua quer a saída de mais 200.
Ou a prefeitura se moderniza ou ela vai existir só para pagar os funcionários, diz. De acordo com ele, atualmente a folha de pagamento compromete 69% da receita. Como o índice ultrapassa os limites legais, o Município tem dificuldades em assinar convênios para repasse de recursos. Mas aonde vai parar a arrecadação do Município? Scardua diz que parte são recursos de contas específicas e não podem pagar o funcionalismo. Outra parte já vem descontada de um empréstimo feito pelo município e o restante vai para a manutenção da prefeitura.
Marcos NegriniMendes: presidente do sindicato
Esmola Prefeitura não é só funcionário, diz o coordenador. Além disso, ele assegura que desde novembro os servidores vêm recebendo. O pagamento sai aos poucos. No dia 10 saem os menores salários, no dia 20 os intermediários e no dia 30 o restante. Ninguém está passando fome, observa. O sindicato diz que não é bem assim. Cada folha estaria demorando 40 dias para ser paga e, com isso, a cada três meses acumala-se mais um mês em atraso.
Para tentar amenizar o drama dos servidores, a prefeitura implantou há 15 dias um novo sistema de pagamento. O funcionário que conseguir convencer os devedores de IPTU a pagar contas já vencidas até 97, fica com o dinheiro do tributo, desde que o valor pago seja inferior ao que o sevidor tem para receber. Scardua garante que existem funcionários que já conseguiram receber todos os atrasados através desse sistema.
Isso é a mesma coisa que sair pedindo esmola, protesta o motorista José Orlando da Costa, 36 anos, que trabalha na prefeitura há 12 anos e ganha R$ 270,00 por mês. Sorte dos professores que, desde janeiro, estão recebendo em dia. Tudo isso graças à entrada em vigor de uma lei federal que repassa os recursos para a educação numa conta específica. (Saiba como algumas prefeituras venceram a crise na Folha Cidades da edição de terça-feira)





