Prefeitura promete notificar
A existência de rodeios clandestinos não é exatamente uma novidade para a Prefeitura de Cambé: a assessoria de imprensa do Executivo informou que há cerca de um mês chegou denúncia a respeito na Ouvidoria do Município. Sobre os rodeios flagrados pela reportagem da FOLHA - um, na ativa há dois anos; o outro, há três semanas -, a resposta foi a de que ambas as situações, de fato sem alvará municipal, serão informadas para a Ouvidoria e para as secretarias responsáveis, como a de Agricultura e Meio Ambiente, para posterior notificação. A assessoria apontou também que a divulgação dirigida desse tipo de evento, de forma restrita, é outro dificultador para a fiscalização adequada.
Quanto à falta de policiamento preventivo próximo a esses locais, o porta-voz do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), tenente Ricardo Eguédis, também se queixou da pouca publicidade que os rodeios clandestinos têm por parte da própria comunidade.
É uma festa irregular, sem nenhum tipo de controle por órgão público, mas temos dificuldades por serem em local isolado, argumentou, Conforme o policial, o risco nesses rodeios não se restringem a quem monta e tenta dominar o touro: O proprietário nem sabe, mas se coloca em situação de risco grande, também. Basta alguém que tenha bebido nesse local ser atropelado ainda que fora dali, por exemplo, para, querendo, poder responsabilizar indiretamente o organizador, apontou o policial, segundo o qual são as denúncias anônimas do cidadão que podem ajudar a coibir práticas ilegais. Porque há o risco direto, também, a quem vai: tanto pode ser atropelado por um bêbado como estar em um local em que não haja seguranças, completou.
Se a segurança pública é ponto colocado em xeque pela própria PM, a ameaça à saúde, nesses eventos, é ponto destacado pelo coordenador do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Elândio Câmara. O médico comparou a falta de emergência médica ao risco que um acidentado no trânsito corre no caso de primeiros socorros prestados inadequadamente: Alguns traumas podem ser até letais - a pessoa entra normal, bem de saúde, e sai tetraplégica ou paraplégica. Por isso a assistência médica tem que ser adequada em caso de acidente. Como essas pessoas retiram um lesionado da arena? Pegam pelas pernas, pelos braços? A assistência direta ao paciente com equipe multiprofissional pré-hospitar é um modo de se evitar consequências importantes, defendeu Câmara, conforme o qual empresas terceirizadas devem ser contratadas por esses eventos.
Indagado sobre as lesões mais comuns ou mesmo possíveis na atividade do rodeio, o médico citou que até uma queda em que a pessoa bata a cabeça no chão, por exemplo, pode ser decisiva. Porque pode lesionar a coluna cervical. Se cai em cima de uma perna pode ter lesão de coxa, fratura exposta, e até perfurações de pulmão e de grandes vasos, como a artéria aorta. É muito perigoso. (J.G.)





