Prefeitura pretende assentar invasores
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quarta-feira, 18 de março de 1998
Osmani Costa e Lucilia Okamura 
Mário CésarVizinhança arrediaIracema Silva e moradores do conjunto Benzoni Vicentini vão ao prefeito: contra a presença de sem-tetoAs famílias de sem-teto que invadiram recentemente terrenos públicos na zona urbana de Londrina poderão ser assentadas nas próximas semanas em uma área nas imediações do jardim União da Vitória (zona sul) ou do jardim Olímpico (zona oeste). O anúncio foi feito, ontem de manhã, pelo prefeito Antonio Belinati (PDT). Ele afirma que os terrenos estão passando por avaliação da Companhia de Habitação (Cohab) para fins de desapropriação.
No último sábado, duas áreas na zona norte foram invadidas por sem-teto - nos conjuntos habitacionais Ruy Virmond Carnascialli e Antonio Benzoni Vicentini. Além dessas, outras três áreas haviam sido ocupadas por centenas de famílias em janeiro e fevereiro. O novo assentamento que está sendo planejado seria para abrigar os sem-teto.
O prefeito diz saber que encontrará resistência dos sem-teto para a saída das áreas invadidas. Tem que haver uma compreensão, diz Belinati. Mas se o problema é o pedaço de terra, o Município vai assegurar isso.
O presidente da Cohab, Wilson Mandelli, confirmou a busca da área para desapropriação. O prefeito determinou rapidez e concluiremos os levantamentos nos próximos dias. Porém, não levaremos invasores profissionais, baderneiros e especuladores que visam lucro. Só irão as famílias carentes, comenta Mandelli.
Mandelli adianta que a Cohab passará a desenvolver, em conjunto com a Polícia Militar, um trabalho preventivo para identificar focos e evitar possíveis novas invasões.
Mário CésarComeçar de novoCléber Dias volta à área invadida: Não adianta destruir. No dia seguinte, ergo o barraco novamente
A situação estava tranquila ontem de manhã no fundo de vale do conjunto Antonio Benzoni Vicentini (zona norte de Londrina), ocupada por cerca de 15 famílias. Apenas mulheres e crianças estavam no local, que foi palco, anteontem à noite, de um conflito entre moradores do bairro e invasores. Alguns barracos foram derrubados e a Polícia Militar foi chamada.
Um dos barracas destruídos pelos moradores foi o da faxineira Maria das Graças da Silva. Ontem de manhã, enquanto ela trabalhava, o filho Cléber Aparecido da Silva Dias, 17 anos, juntava os pedaços de madeira para reerguer o abrigo. Não adianta vir aqui destruir. No dia seguinte, eu ergo o barraco de novo.
Cléber Dias conta que morava com sua mãe e outros três irmãos (todos menores de idade) em uma casa alugada no parque Ouro Verde (zona norte). A minha mãe ganha R$ 200,00 e pagava R$ 150,00 de aluguel. Não dava para a gente ficar lá.
A diarista Aparecida Madalena José, 25 anos, também teve parte de seu barraco de lona derrubado. Ela conta que passou a noite na casa de uma amiga, mas fez questão de voltar ao fundo de vale ontem pela manhã para cuidar do barraco. Na opinião de Aparecida José, os moradores vizinhos não têm o direito de retirar os sem-teto à força. Quem decide é o prefeito.
Enquanto os invasores tratavam de reerguer os barracos ontem de manhã, um grupo de moradores do conjunto seguia até à Prefeitura. Queremos que as autoridades tomem providências imediatas para retirar os sem-teto de lá. Eles ficam provocando os moradores, afirma a presidente da Associação dos Moradores do bairro, Iracema Ferreira Silva.
A dona-de-casa Clarice Rodrigues, moradora da rua Parque Nacional do Rio Branco, tem outra opinião. Ela diz ser a favor dos invasores por acreditar que eles também têm direito a um pedaço de terra. Além disso, ela observa que é melhor os invasores construírem suas casas no local ao invés de conviver com o matagal. O fundo de vale serve de esconderijo para ladrões. A professora Célia Eliana Moreira, também moradora da rua, condena a atitute da presidente da associação. Ao invés de conversar com educação, ela chegou já agredindo e querendo destruir.


