Prefeitura pede reintegração de posse de área invadida
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terça-feira, 22 de maio de 2001
Edna MendesDe Londrina 
A Procuradoria-Geral de Londrina protocolou ontem à tarde no Fórum o pedido de reintegração de posse da área de fundo de vale ocupada, no início do mês, por sem-teto no Loteamento Parque Residencial Professora Marieta, na zona norte da cidade. O local está destinado a construção de escola e área de recreação. Os sem-teto afirmaram que não vão deixar o local, mesmo que a Justiça determine a desocupação.
No dia 1º deste mês, cerca de 30 famílias moradoras do Conjunto Vivi Xavier, também na zona norte, ocuparam a área, delimitaram os terrenos e montaram barracos. Hoje, estão no local 105 famílias. A Cohab-Ld fez um cadastramento dos invasores e segundo informações dos moradores, teria proposto que as famílias fossem assentadas no Jardim Olímpico, o que foi descartado pelos sem-teto.
Segundo a Procuradoria, o pedido de reintegração de posse é contra 61 famílias e outras que tenham ocupado a área depois do cadastro feito pela Cohab-Ld. O assessor jurídico da Procuradoria, Carlos Alberto de Oliveira, informou que o município está solicitando à Justiça uma liminar inaudita altera parte, na qual a parte contrária não é ouvida.
A Procuradoria informou que aproximadamente 24 mil metros quadrados da área são destinados a construção de uma escola e recreação, 500 metros quadrados seriam para a construção de um centro comunitário e 11 mil metros quadrados são reservados ao fundo de vale.
O pintor de paredes desempregado Ailton Natalino da Silva Souza, um dos líderes da ocupação, disse que as famílias não vão deixar a área, em hipótese alguma, porque nenhum dos moradores têm condições de pagar aluguel. Só saímos daqui mortos. Se a polícia vir aqui e desmontar nossos barracos, no dia seguinte montamos novamente. Só aceitamos ir para outra área se for aqui mesmo na zona norte, disse.
Casado, pai de dois filhos e desempregado há um ano e meio, Souza disse que ganha menos de uma salário mínimo fazendo bicos e que não tem condições de pagar aluguel no bairro, que custa, em média, R$ 180,00. Para onde a prefeitura quer que a gente vá? Para a favela? Se não podemos viver aqui porque é área de fundo de vale, as mansões do Igapó também precisam ser demolidas, já que é preciso respeitar 30 metros da margem para fazer uma casa, observa.
Os invasores também criticaram o projeto Poupalar, desenvolvido pela Cohab-Ld. A maioria das moradias do Poupalar estão vazias. Ninguém tem condições de pagar um preço tão alto por algo tão ruim. Esperamos que encontrem uma saída para nós porque todos aqui merecem viver com dignidade. Nenhuma família está aqui porque quer , disse o servente de pedreiro desempregado Marcelo Teixeira Augusto, casado e pai de um filho.


