Milton DóriaNovo endereçoBarracos armados por famílias sem-teto em terreno na zona oeste da Cidade: invasão foi decidida em reunião na sexta-feira à noiteA Prefeitura de Londrina deve entrar até o final de semana com mandato de reintegração de posse de uma área no jardim Santiago 2 (zona oeste), que foi invadida na última sexta-feira por 21 famílias sem-teto. O secretário municipal de Negócios Jurídicos, Eduardo Duarte Ferreira, disse ontem pela manhã que faltava apenas fazer o levantamento da documentação da área - até para comprovar se o terreno é realmente do Município - e, em seguida, acionar a Justiça.
A expectativa da administração, segundo o secretário, é que as famílias saiam da área pacificamente, sem uso de força policial. Ferreira garantiu também que a Prefeitura não tem disposição em tentar negociar uma nova área para acomodar os invasores. ‘‘Apenas vamos tentar desocupar a área’’.
No acampamento, os sem-teto garantiram que só vão sair do local se for para uma área igual ou melhor do que a do Santiago. ‘‘Mesmo que vier a ordem de despejo, a gente vai ficar. Ou a gente vai acampar em frente à Prefeitura’’, ameaçou Rosenilda Gomes, que mora com o marido desempregado e dois filhos pequenos. ‘‘A gente só sai daqui se for para um lugar melhor’’. Ela conta que antes morava em casa alugada, também na região oeste da Cidade e que custava R$ 120,00 ao mês. Mas, com com a situação da família - ela afirmou -, mal dava para comprar comida para as crianças.
Milton DóriaSem opçãoRosenilda Gomes, que tem dois filhos e o marido desempregado: ‘A gente só sai daqui se for para um lugar melhor’
A decisão para invadir a área da Prefeitura saiu ainda na sexta-feira à noite, em reunião com os moradores da região do Santiago. A maioria das famílias, como a de Rosenilda, não suportava mais arcar com o aluguel por falta de trabalho. ‘‘A gente morava em um cômodo com o marido e o filho e pagava R$ 80, mais água e luz. Meu marido é pintor, mas está difícil conseguir serviço. Não estava dando nem para pagar as despesas’’, conta Maria Aparecida Moreira, que também se mudou para a ocupação.
A primeira coisa que chama atenção no assentamento é o grande número de crianças, muitas de colo. As famílias estimam que há 50 menores. Por isso, a sem-teto Fabiana da Silva, casada e com uma filha, gostaria que a situação das famílias fosse regularizada no próprio jardim Santiago. ‘‘Os meninos já estão matriculados aqui, seria bem mais fácil. Em outro lugar a gente não sabe nem se vai ter vaga na escola’’.
Os sem-teto reclamam também que, até antes da invasão, toda a área estava abandonada e servia de depósito de lixo de moradores e charreteiros do Santiago e bairros vizinhos. ‘‘Este lugar ficou 10 anos abandonado. Agora a Prefeitura resolveu que precisa dele. Pra quê?’’, diz Delvani Rossilda Luz, que mora com uma filha pequena, está desempregada e ainda tem problemas de saúde. Antes da invasão ela pagava R$ 120 em uma residência no Santa Rita (zona oeste). ‘‘Não tenho dinheiro nem para tomar leite’’.
As famílias também não gostam nem de ouvir falar do nome do assentamento do jardim Olímpico, também na zona oeste da Cidade e para onde foi levada a grande maioria das famílias assentadas pela Cohab no ano passado. ‘‘Lá cada dia matam um. E também não cabe mais ninguém. Para lá a gente não vai’’, garante Rosenilda Gomes. A área do jardim Santiago apresenta também uma curiosidade em relação às outras ocupações da Cidade: no meio dos barracos de lona e madeira, encontra-se uma moderna barraca de camping, da cor bege e com estacas de ferro. Os moradores não quiseram comentar a novidade.

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