Osmani Costa

César AugustoNa lonaSandra: sem ajuda de vizinhosA Prefeitura de Londrina entrará na Justiça, hoje, com um mandado para reintegração de posse de uma área pública invadida no jardim Santiago 2 (zona oeste) por cerca de 20 famílias de sem-teto, no dia 23 de janeiro. A informação foi dada, no final da tarde de ontem, pelo secretário municipal de Negócios Jurídicos, Eduardo Duarte Ferreira. ‘‘Vamos fazer o pedido de liminar, para que a ordem judicial para a reintegração seja deferida o mais rápido possível.’’
Segundo ele, a área invadida está reservada para a construção de uma praça ou escola que venha beneficiar a população daquela região da Cidade, e não há disposição da Prefeitura em negociar com os invasores uma nova área para assentamento. O espaço invadido - pouco mais de meio quarteirão - tem plantação de grama e fica próximo ao fundo de vale do ribeirão Quati.
As famílias do sem-teto, com muitas crianças, vieram de bairros próximos fugindo dos aluguéis e garantem que só sairão do local se forem para uma área igual ou melhor do que a do Santiago. Na área invadida, os barracos de madeira e lona se amontoam sem água, energia elétrica e esgoto. Em dez dias de invasão, o número de barracos aumentou para mais de 30.
‘‘A situação aqui está muito difícil, principalmente para quem tem criança. Temos dormido em barracos inundados pela enxurrada das chuvas, e as crianças não tem água e nem o que comer durante o dia. Os vizinhos acham que a gente é vagabundo e não querem colaborar com nada’’, afirma a dona-de-casa Sandra Lourenço Figueiredo. Ela tem 26 anos de idade, sete filhos menores e está grávida. O marido, Jacil Figueiredo, está desempregado e faz ‘bicos’ vendendo panelas. A família trabalhava na zona rural de Goioerê (Centro-Oeste do Paraná) e veio para Londrina há oito anos, depois de ser demitida. Nos últimos meses, pressionada pelo desemprego e pelo preço do aluguel, a família morava com parentes.

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