O prefeito de Londrina, Antonio Belinati (PDT), pediu na última segunda-feira ao procurador-geral do Ministério Público no Paraná, Gilberto Giacoia, o afastamento de Bruno Galatti da Promotoria Especial de Defesa do Patrimônio Público. Segundo o procurador jurídico do Município, Eduardo Duarte Ferreira, o pedido foi feito porque em um outro caso o próprio promotor Galatti pediu afastamento alegando razões de foro íntimo contra o prefeito.
Trata-se de uma ação contra Belinati de ressarcimento por danos ao patrimônio público. O prefeito é acusado de ter desviado dos cofres públicos 50 milhões de cruzeiros, em 1992 - último ano de seu segundo mandato - para premiar jogadores do Londrina Esporte Clube.
‘‘Se o promotor tem razões de foro íntimo para se afastar de um caso que envolva Belinati, deve se afastar de todos, inclusive nos de investigação, pois não dá para dissociar o Município do prefeito’’, argumenta o procurador, se referindo à apuração, pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, de denúncia feita pelo Sindicato dos Servidores Municipais (Sindserv) de irregularidades na contratação de 212 funcionários pela Companhia Municipal de Urbanização (Comurb).
Na última quarta-feira, quase um ano depois de iniciadas as investigações, o promotor Galatti propôs ação civil pública contra quatro vereadores, um ex-vereador (suplente que exerceu o mandato até 31 de março), dois diretores e 44 ex-funcionários da Comurb e contra o Conselho Comunitário de Segurança.
O pedido de afastamento de Bruno Galatti foi encaminhado a Gilberto Giacoia. A Folha não conseguiu falar ontem com o procurador-geral, que por volta das 18 horas já havia deixado o prédio da procuradoria-geral do Ministério Público, em Curitiba. A assessoria de imprensa confirmou o recebimento do pedido e informou que na segunda-feira serão iniciados os procedimentos.
O pedido deve ser analisado pela corregedoria-geral do Ministério Público, que decide se o promotor Galatti será ou não afastado. Ainda segundo a assessoria de imprensa, não há prazo para a conclusão desses procedimentos.
Galatti disse à Folha que não comenta o caso. ‘‘Tudo o que tinha para dizer está consignado no relatório das investigações e na petição da ação civil pública’’, justificou o promotor no início da tarde, se referindo também ao escândalo na Comurb. No início da noite, quando a Folha confirmou a existência do pedido de afastamento, Galatti não foi encontrado para comentar a iniciativa do prefeito.
Os indiciados pelo escândalo na Comurb são acusados de improbidade administrativa, danos ao patrimônio público, falsidade ideológica e falsificação de documentos - dependendo do grau de envolvimento. Na ação, o promotor requer o ressarcimento de R$ 58.409,48 aos cofres da companhia. Foram indiciados os vereadores Célio Guergoletto (PMDB), Carlos Kita (PTB), Jorge Scaff (PDT), Orlando Proença (PDT) e o ex-vereador Jacy Aguiar (PDT). E ainda os diretores da Comurb Eduardo Alonso e João Batista de Almeida.

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