Prefeitura pede intervenção na creche do Ouro Branco
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 14 de março de 2003
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
A Secretaria Municipal de Educação de Londrina entrou ontem com requerimento na Promotoria da Vara da Infância e Juventude pedindo intervenção na Creche do Parque Ouro Branco (zona sul). De acordo com o auditor da prefeitura, Osvaldo de Lima, existem suspeitas de que diversas irregularidades administrativas tenham sido praticadas pela direção. A secretaria também deve requerer a presença de um interventor na Creche Escola Governador José Richa, no conjunto Violim (zona norte), no início da próxima semana.
Os dois pedidos de intervenção ao Ministério Público (MP) atendem a ofícios enviados por Lima entre o final da semana passada e o início desta semana. Segundo o auditor, a creche do Ouro Branco estaria devendo salários a seus funcionários há dois meses, não vem recolhendo o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e a taxa do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), além de não estar destinando tratamento adequado às crianças. ''Estas foram as denúncias que recebemos. Há dez dias, pedimos à creche a prestação de contas dos últimos cinco anos. Demos um prazo de cinco dias e os documentos não foram entregues'', disse Lima.
O presidente de Associação de Moradores do Ouro Branco, Roberto Fu, afirmou que os moradores do bairro esperam uma satisfação do presidente da creche, Valdemir Martins. ''Vínhamos recebendo reclamações sobre irregularidades na creche há seis meses. Sabíamos que, constantemente, cortava-se a água e a luz do local. Sabemos que tem alimentos na creche e que não está havendo superlotação. Mas ficamos preocupados porque, no final do ano passado, realizamos um bingo e parte da renda foi para a creche. Não sabemos o que foi feito desse dinheiro'', disse Fu.
A diretora da creche, Roseli Costa, afirmou ontem que não sabia de nenhuma das irregularidades. ''Ninguém veio me dizer nada, ninguém da prefeitura. Eu cuido da parte pedagógica, não estou sabendo das finanças'', argumentou. Segundo Fu, os moradores estão desconfiados porque o computador que estava na creche foi levado por Valdemir Martins esta semana. Ele cogita que os arquivos contivessem dados comprometedores da prestação de contas.
A respeito da creche José Richa, o auditor afirmou que pediu a intervenção após visitar o local, em fevereiro. A instituição recebeu um repasse do governo federal no valor de R$ 50 mil e outro de R$ 12,5 mil da prefeitura, no segundo semestre do ano passado. ''Reprovamos a prestação de contas destes recursos porque percebemos indícios de pagamentos superfaturados e indevidos, a alimentação não foi paga, notas fiscais indicam mercadorias que foram compradas e não estão na creche'', relatou.
Segundo o auditor, consta ainda o pagamento de um empréstimo, ''a um senhor de mais de 80 anos, no valor de R$ 20 mil, e o único controle desta operação são notas promissórias suspeitas. E a creche afirma que ainda deve R$ 15 mil a este senhor''. Ele lembrou que a creche também não apresentou a prestação de contas dos últimos cinco anos.
No ano passado, foram determinadas intervenções em quatro creches da cidade. ''O que acontece em geral é um desconhecimento e um descaso das leis por parte de certos administradores de creche. Mas é bom lembrar que a imensa maioria trabalha honestamente'', disse a secretária de Educação, Magda Tuma.


