Prefeitura negocia lote para sem-teto
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quinta-feira, 22 de maio de 1997
Da Redação 
Mário CésarO palácio dos sem-tetoAo todo, 22 crianças estão alojadas provisoriamente no Palácio do Futsal, junto com as famílias que foram despejadas na zona norteAs negociações entre a Prefeitura e a loteadora Tupy - para a cessão de terrenos às dez famílias que foram despejadas na terça-feira das casas de fibrocimento, no conjunto Ilda Mandarino (zona norte) - avançaram ontem e podem ser concretizadas nos próximos dias. Esta é a avaliação do secretário municipal de Administração, Moysés Leônidas, que ontem se reuniu com Jamil Richa, dono da loteadora.
O negócio foi proposto pelo vereador Célio Guergoletto (PMDB) e depende de uma lei municipal que o autorize. Através dele, a loteadora Tupy pagaria à Prefeitura parte de sua dívida de impostos atrasados - cerca de R$ 100 mil - com a venda de terrenos no jardim Cristal (zona sul). Concretizado este negócio, a Prefeitura repassaria os terrenos à Companhia de Habitação de Londrina (Cohab) como pagamento de parte de uma dívida com a companhia de aproximadamente R$ 6 milhões.
Na sequência, a Cohab venderia os terrenos às famílias de despejados, que têm condições de pagá-los de forma parcelada. As famílias haviam invadido as casas de fibrocimento - um projeto piloto entre a Construtora Grande Piso, de Foz do Iguaçu, e Cohab - no último dia 13, e foram despejadas sob força policial em atendimento a uma ação de reintegração de posse solicitada pela construtora.
A idéia desta negociação é muito interessante, e pode ser concretizada porque atende ao interesse público do momento, que é resolver a questão destas famílias que foram despejadas e não têm para onde ir, explica Leônidas. A proposta foi bem aceita pelo prefeito e pode ser ampliada para outros negócios, desde que seja aprovada pela Câmara. Depois, a Cohab pode utilizar os terrenos em seus programas de assentamentos e para a construção de casas populares.
Na noite do despejo, as famílias - 50 pessoas, das quais 22 crianças e mulheres grávidas - dormiram na garagem do prédio da Prefeitura, com suas mudanças em três caminhões. Desde anteontem, elas estão alojadas no ginásio de esportes Palácio de Futsal, na vila Brasil (área central).
Isso aqui é uma tristeza, com nossos móveis estragando espalhados aí nas escadarias, tendo que dormir com os colchões no chão da quadra. À noite faz muito frio e as crianças estão sofrendo bastante, diz Célia Silva de Oliveira, grávida de nove meses, enquanto dá comida à filha de um ano e sete meses. Nunca pensei que fosse ter que passar por uma situação assim.


