Prefeitura não paga indenização
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quarta-feira, 10 de setembro de 1997
Edmara Michetti 
Londrina
Mário CésarPaciência à provaAugusto Takata, um dos ex-donos do terreno: há mais de três anos eles tentam receber pagamento integralA Prefeitura de Londrina ainda não indenizou os ex-proprietários dos oito alqueires onde hoje funciona o parque industrial da Zona Sul, o Cilo 5. A desapropriação da área foi feita em fevereiro de 1994. Enquanto cerca de 20 pequenas indústrias funcionam no local com toda a infra-estrutura básica, a família Takata, antiga dona do terreno, continua lutando para receber a indenização.
O problema começou com a diferença de preços do metro quadrado da área apresentada por peritos da Justiça e da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel). Os peritos da Justiça avaliaram o metro quadrado em R$ 10,00, enquanto os peritos da Codel apresentaram o valor de R$ 4,00. Só no ano passado, a administração e os Takata chegaram a um acordo. Ficou acertado que a família receberia o equivalente a R$ 7,00 o metro quadrado em 14 parcelas diferentes, pagas entre 15 de julho de 1996 e 15 de agosto de 1997.
No total, os três irmãos - Augusto, Luiz e Hugo Takata - receberiam R$ 1,35 milhão. Mas, até agora, apenas R$ 405 mil - 30% do valor total -, equivalentes às parcelas do ano passado, janeiro de 1997 (R$ 40 mil) e metade do previsto em fevereiro (R$ 100 mil), foram repassados aos Takata.
Jânio Takata, filho de Augusto, afirma que nas várias vezes em que a família procurou a Prefeitura, recebia sempre a mesma resposta: a administração estaria passando por problemas de falta de recursos. Até que, no dia 13 de junho, a Codel emitiu um empenho no valor de R$ 585 mil para quitar a dívida de fevereiro a junho de 1997. No dia 30 do mesmo mês, outro empenho foi emitido pela Companhia, então no valor de R$ 250 mil, para pagar as últimas parcelas. Porém os Takata nada receberam.
A gente se sente lesado. Estamos vendo que isso é abuso de autoridade. Parece que a Prefeitura tem má vontade em atender, diz Jânio. Segundo ele, sem o pagamento integral da área desapropriada, seu pai e os tios não puderam concluir os planos de investimentos com o dinheiro. A maior renda dos três irmãos, segundo Jânio, vinha do sítio Takata, onde trabalhavam com fruticultura. Agora meu pai vive de umas casas de aluguel, diz. Ele, que chegou do Japão no mês passado, depois de um ano fora do Brasil, não vê outra alternativa senão voltar ao país oriental.
A diretora administrativa da Codel, Eleonora Gomes Colli, afirma que não há previsão para a conclusão do pagamento. Mas garante que no dia 16 de setembro a outra metade da parcela de fevereiro - R$ 100 mil - será paga. Desde o início do ano não estamos negando o pagamento. Mas, diante das atuais dificuldades financeiras, estamos sem recursos, justifica. Ela explica que a Codel não tem receita própria e depende de liberação de verbas da Secretaria de Fazenda para efetuar qualquer pagamento.
Eleonora afirma que, em fevereiro, além da metade da parcela referente ao mês (R$ 100 mil), a Codel repassou também a de outubro de 1996 (R$ 50 mil). Em março, segundo ela, foi paga a parcela referente a novembro (R$ 50 mil) e em abril a Codel quitou o mês de dezembro (R$ 50 mil). Os meses atrasados foram repassados sem correção. A grande dificuldade agora, de acordo com Eleonora, é que o parcelamento feito no acordo previa o repasse das maiores parcelas em 1997. São uma de R$ 70 mil, outra de R$ 65 mil, duas de R$ 200 mil e duas de R$ 50 mil. Para o ano passado, foram previstas uma parcela de R$ 15 mil e cinco de R$ 50 mil.


