Prefeitura já constrói palco no Barigui
Giordani Rodrigues
Especial para a Folha
De Curitiba
Mesmo com o Réveillon 2000 estando sob apreciação judicial, a Prefeitura de Curitiba já iniciou a construção de um grande palco no Parque Barigui para a realização da festa. O juiz Salvatore Antônio Astuti, da 1ª Vara da Fazenda Pública, deve decidir hoje sobre a questão. A festa está sendo contestada pela Associação dos Moradores e Amigos do Parque Barigui (Amaparque), com base em análises da Sociedade para Proteção da Vida Selvagem (SPVS). A prefeitura apresentou na sexta-feira sua defesa.
O prefeito Cassio Taniguchi informou que irá aguardar a decisão judicial. A polêmica em torno das obras é coisa de quem aproveita o ócio dos finais de tarde e o período eleitoral para fazer esse tipo de reivindicação, disse. Caso o juiz decida suspender as obras, os advogados da prefeitura deverão entrar com recursos.
Além do palco, onde irão se apresentar diversos artistas ao longo do dia, o réveillon no Barigui deverá contar com 30 barracas para venda de comida e bebida. À meia-noite, está programado um show pirotécnico de cerca de 20 minutos.
Segundo o laudo do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), utilizado na defesa da prefeitura, o Barigui é um parque urbano e já sofre influência permanente da população. Por causa disso, a fauna e a flora do local já estariam adaptadas e não seriam prejudicadas com as festividades, de curta duração.
Por outro lado, o parecer do SPVS admite a influência urbana sobre as aves do Barigui, mas ressalta que não há base técnica para garantir a adaptação das mesmas, principalmente em eventos desse porte. O documento afirma que, dentre as 96 espécies de aves já registradas no parque, cinco estão ameaçadas de extinção. Outras estão fazendo seus ninhos e poderão ser afugentadas pelo barulho dos fogos.
O advogado da Amaparque, Vitório Sorotiuck, diz que o laudo do Ibama, que teve o apoio do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), contém incorreções, pois em nenhum momento tocou na questão das aves em extinção. Para Sorotiuck argumentou que, em casos de dúvidas, o juiz deveria solicitar o parecer de um perito independente. O meio ambiente é da população e não do Ibama. Até o Papa, que é infalível, já admitiu erros da Igreja. A atitude mais sábia do Ibama e do Iap seria corrigir seus erros perante a população, afirmou Sorotiuck.A Prefeitura de Curitiba não esperou decisão da Justiça sobre a festa no parque e já está erguendo o palco do espetáculo
Kraw PenasADIANTANDOUm grande palco já está sendo montado no Parque Barigui. A Justiça pode decidir hoje sobre o pedido de proibição da megafesta





