Prefeitura interdita ONG de reciclagem
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sexta-feira, 18 de abril de 2008
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Os dez trabalhadores da ONG de Reciclagem Juventude, que funciona no Jardim Alto da Boa Vista, na Zona Norte de Londrina, estão sem trabalhar desde quarta-feira. O local onde funciona a ONG foi interditada pela prefeitura por falta de alvará de licença.
''Quase 100% das ONGs de reciclagem que são interditadas é por falta de alvará. Para evitar que isso aconteça, a organização deve dar entrada no pedido de alvará aqui na prefeitura, com anexação dos documentos exigidos'', explica o gerente de Concessões de Atividades Econômicas da prefeitura, Joenis Veloso de Alcântara Junior.
Segundo ele, dependendo da atividade, é possível retirar o alvará no mesmo dia. ''Geralmente, quando se trata de reciclagem de lixo, a Secretaria do Meio Ambiente exige uma avaliação das condições do local de trabalho e isso acaba gerando um tempo a mais para liberar a licença'', afirma.
E foi justamente a avaliação da Vigilância Sanitária que levou à interdição do local. Para Conceição Maria da Silva, que trabalha na ONG desde o início, há cinco anos, as exigências feitas pela Vigilância estão longe de serem atendidas. ''Eles falaram que é preciso ter vestuários, refeitórios, dois banheiros, além de uma cobertura. Tudo que está ao nosso alcance, nós fazemos, mas construir uma estrutura dessas, é muito difícil'', comenta Conceição. A exemplo dos outros trabalhadores, ela ganha mensalmente um salário mínimo. ''Todo mundo que trabalha aqui vive do lixo reciclável. Nós não temos condições de arcar com estas despesas'', ressalta. A reportagem não conseguiu falar com a responsável pela ONG Juventude, Kelly da Silva.
O coordenador de Coleta Seletiva da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Devair Batista de Almeida, afirma que neste tipo de ação a companhia não tem como intervir. ''O que é de nossa competência, nós fazemos, mas neste caso, a solução não está ao nosso alcance. A ONG terá que se adequar ao pedido da Vigilância, ou então, começar a funcionar em um barracão'', diz Almeida.


