Prefeitura interdita casas no Vale Verde
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quarta-feira, 11 de abril de 2007
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Água escorrendo por todos os lados, canos a céu aberto, pedaços de madeira arranjados estrategicamente sobre o chão para evitar o contato com o barro. Ainda assim, Raquel sorri. Ela mora com a família numa das casas da rua Rosa Morales Rodrigues, no Jardim Vale Verde, Zona Leste de Londrina, que foi embargada pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Sema).
Um levantamento realizado pela Prefeitura em janeiro deste ano apontou que das 250 casas analisadas pela Sema nos jardins Vale Verde e Loris Sayhun, 213 estão construídas sobre áreas de nascentes e várzeas do Córrego Inhambu, que deságua no Parque Arthur Thomas, e em áreas de preservação permanente. Somente 37 lotes não apresentaram problemas.
Na noite de anteontem, os moradores dos dois bairros foram informados pelo secretário de Meio Ambiente, Gerson da Silva, durante uma reunião no Jardim Monte Carlo, de que seus imóveis não podem ser comercializados ou sequer receber novas edificações porque foram construídos em área proibida.
''A Prefeitura não vai permitir a construção em lotes que estão vazios e vai paralisar construções em andamento e eventuais reformas que impliquem em aumento da área construída nos lotes edificados'', informou Silva, ressaltando que a partir da próxima segunda-feira, os proprietários serão notificados individualmente para que possam contestar o laudo da Prefeitura.
''Desta forma, cada caso será analisado pela equipe técnica e jurídica da Sema, que pode ou não suspender o embargo do lote'', declarou o secretário. Segundo ele, após receber a notificação de embargo, os moradores deverão buscar o ressarcimento dos danos junto aos loteadores e terão um prazo para deixar o local.
''A Prefeitura não irá realocar ninguém. Os moradores é que vão ter de procurar outras áreas'', adiantou Silva. Ainda de acordo com ele, a Prefeitura se comprometeu a procurar os loteadores para que eles se responsabilizem pela recuperação da área degradada, principalmente no Jardim Vale Verde.
''Os loteadores sabiam que a área era proibida para construção e esconderam isso da população. Eles drenaram a água e fizeram com que o esgoto fosse despejado diretamento no rio'', assinalou o secretário.
Morador do Jardim Vale Verde há 17 anos, o tio de Raquel, Belini Pereira Marques, precisou construir uma calçada para tentar impedir a água de invadir a casa. Mas o esforço foi em vão, pois apesar de todos os canos espalhados pelo quintal, a água continua brotando no fundo da casa. ''Quando me mudei não era assim, não. A água tinha sido drenada. Mas o cano entupiu e a água começou a subir'', recordou.
No final da rua, José Aguinaldo, que mora no bairro há 13 anos, cansou de reformar as paredes, que insistem em rachar. ''Tem morador que não teve coragem de fazer fossa e despeja o esgoto direto no córrego. É um mau cheiro danado quando chove'', declarou.
Salomão Antero, que mudou-se para o Jardim Vale Verde há 30 anos, disse que sobre a mina que corre ao lado da casa dele foi prometida a construção de uma praça de lazer. Ao invés disso, existe só mato e água por todo lado. ''A casa fica bastante úmida quando chove e as paredes ficam cheias de bolor.''
Para a promotora do Meio Ambiente de Londrina, Solange Vicentin, a Prefeitura, a loteadora e até os moradores poderão ser alvo de ação por danos ambientais. ''Muitos moradores não têm o Habite-se das casas e outros sequer possuem a escrituração'', assinalou.
Ela disse que está aguardando o recebimento dos dados obtidos pela Sema para tomar as providências cabíveis. ''Não sei como alguém pode dizer que não sabia da existência de nascentes naquela área e como autorizaram o loteamento'', criticou.


