Prefeitura ignora adequação de calçadas
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segunda-feira, 02 de março de 2015
Antoniele Luciano<br>Reportagem Local 
Londrina - Sancionada em 2011, a Lei 11.381, que instituiu o programa "Calçada para Todos" em Londrina, não está sendo integralmente cumprida no município. E não são só particulares que resistem às exigências da legislação. A própria Prefeitura não tem seguido o que determina o dispositivo. Faltam pavimentação e rampas para cadeirantes em calçadas externas a prédios públicos nos bairros e ainda faixas táteis em calçadas de imóveis pertencentes ao poder público no quadrilátero central. Neste último caso, o prazo para a instalação do recurso que ajudaria deficientes visuais na identificação de uma linha guia nas calçadas venceu em novembro de 2012.
Pela lei, depois de 2011, todos os novos projetos de calçadas de imóveis em Londrina precisam ter piso tátil. Os imóveis do quadrilátero central, delimitado pelas avenidas Leste-Oeste e Juscelino Kubitschek e as ruas Uruguai e Fernando de Noronha, que já tinham calçada feita naquela época, ganharam um prazo de 365 dias para se adequar. Quem não cumprisse o estabelecido, poderia ser multado.
Projetos novos seja em bairros ou centro de Londrina - não são aprovados sem piso tátil na calçada externa. Mas, apesar da fiscalização em imóveis particulares, a faixa de piso tátil ainda não foi levada para calçadas externas de prédios públicos como a Supercreche, na Rua Benjamin Constant, e Museu de Arte, na Sergipe. Na frente da Biblioteca Pública, na Avenida Rio de Janeiro, também falta o piso diferenciado.
A Administração dos Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf) anunciou que vai começar a construção e adequação de calçadas nas áreas externas dos cemitérios Jardim da Saudade, na zona norte, e São Pedro, no centro.
Na zona norte, a obra deve custar R$ 122,5 mil e é uma reivindicação antiga da comunidade. Sem a intervenção, lixo e matagal vêm tomando conta do espaço que deveria ser usado por pedestres. "Meu pai é cadeirante e quando precisamos passar por este trecho do cemitério quase somos atropelados", conta a diarista Ilda Veiga, de 46 anos.
A pensionista Eva Ana Rosa Miguel, de 57, também lamenta que transitar pela rua seja a única saída para pedestres. "O problema é que os carros quase pegam a gente", reforça. Conforme a legislação municipal, todos os imóveis com construção no município precisam ter calçada externa.
No São Pedro, a área externa já tem calçada. No entanto, a falta de piso tátil atrapalha quem precisa deste tipo de recurso. É o caso do aposentado Rogério Alves dos Santos, de 45 anos. Deficiente visual, ele conta que precisa até restringir seus trajetos a regiões com calçadas já adequadas. "Tento evitar passar onde não tem piso tátil, para não me machucar", diz Santos.
No Distrito de Paiquerê, onde mora, há somente dois imóveis com calçada neste padrão. "O espaço para o cego já é restrito e onde tem o piso tátil, às vezes, é mal conservado", pontua.
Cerca de R$ 53 mil serão investidos pela Acesf na instalação de piso tátil ao redor do Cemitério São Pedro.


